O segundo a participar da série de entrevistas com candidatos à presidência do Fluminense F.C. é Peter Siemsen, candidato da coligação Novo Fluminense. O advogado, que nos solicitou que enfatizássemos que Tote Menezes não será vice-presidente em sua gestão, nos recebeu em seu escritório para uma conversa sobre seus projetos para o Fluminense F.C.
Fluminense & Etc: Candidato, como o senhor pretende renegociar a dívida com credores? Que receitas pretende gerar, que gastos pretende gastar, como pretende gerar superávit?
Peter Siemsen: Eu acho que a dívida do Fluminense é o cerne da questão. Se o clube enfrenta problemas administrativos de toda ordem, de salários atrasados aos ladrilhos quebrados na piscina, é decorrência da má administração na parte financeira. Porque isso é o coração do clube. Você não consegue atender a demandas tão heterogenias como o futebol, a torcida, o sócio que procura atividades, se não atacar o problema da dívida.
Nos últimos anos, a dívida do Fluminense vem numa crescente muito grande. Apesar de contar hoje com o maior patrocinador individual do futebol brasileiro, o Fluminense gasta todos os recursos direto com atletas e comissão técnica para formar um elenco de ponta e não consegue, em paralelo a isso, focar em equacionar sua dívida, aumentar receitas, reduzir gastos e criar um ambiente favorável a credibilidade para atrair parceiros para modernizar e ampliar sua infra-estrutura.
As vendas de Maicon e Wellington Silva foram marcadas por servirem ao propósito de pagar salários atrasados, Cedae, é atraso de tudo. O Fluminense é muito mal administrado e o fato de ser mal administrado trás desvantagens enormes. A dívida do ano passado fechou no balanço em 320 milhões. É a maior do futebol brasileiro hoje. Essa dívida é composta por cerca de 50% na área fiscal, atrelada ao Timemania, o que nos dá uma certa tranqüilidade com relação a ela. Os outros 50% são divididos em 80% dela trabalhista, e o restante cível. É uma composição de dívida muito difícil.
A dívida trabalhista é a mais difícil de ser administrada hoje, porque são diversos focos de penhora e execução. Em decorrência dessa composição, o Fluminense, na área fiscal, além de existir a dívida, continua não recolhendo nenhum tipo de contribuição social, fundo de garantia. Não paga o corrente.
Em relação a dívida trabalhista, para evitar penhoras, o clube faz acordos. Durante um determinado período, o Fluminense fez sessenta e dois acordos. Desses 62 acordos, trinta já voltaram como execução. O que significa isso? Quando o Fluminense compôs a dívida com esses credores, o fez no sentido de diminuir o valor original e parcelar o índice de correção. Só que não cumpriu com o pagamento. Com isso, além de voltarem essas ações, o Fluminense incorreu ainda numa multa de 70%, ou seja, além de não pagar a dívida que já existia, criou dívidas novas.
Fluminense & Etc: Isso significaria dizer que o clube estaria, dentro de um médio prazo, inviabilizado financeiramente? Porque tem alguns dados alarmantes. O Fluminense, nos exercícios de 2008/2009, teve um déficit contábil acumulado de cerca de 70 milhões. A continuar dessa forma nós estaríamos inviabilizados…
Peter Siemsen: O que me chamou a atenção nesses últimos anos foi a mudança do balanço de 2006 para 2007. Esconderam o tamanho da dívida trabalhista e cível do clube. Passada a eleição, foi feita a correção do balanço. E aí nós tivemos um resultado negativo, acho que de cento e tantos milhões, que, na verdade, foi uma correção ( reconhecimento ) do que já existia. Acabou que o Fluminense saiu de uma posição irreal no ranking dos mais endividados, para o topo. E acredito que numa auditoria séria a situação tende a piorar. Porque você pode acrescentar aí o adiantamento de receitas futuras, novas dívidas que foram criadas e o corrente que não foi recolhido esse ano.
A real situação é que as questões de balanço prejudicam muito o Fluminense, que, acho que em 2006, resolveu tornar seu balanço azul. Fez uma reavaliação da sua propriedade imobiliária, no sentido de atualizar o valor do patrimônio do clube para mais de 300 milhões. Com a manobra, comparando dívida e patrimônio, nós ficamos no azul.
A questão é: será que Laranjeiras vale trezentos e poucos milhões?
A segunda pergunta: será que valeu a pena, já que você hoje tem uma situação em que há uma taxa de depreciação do ativo de 10% anualmente? Isso significa que temos, todo ano, um negativo de 30 milhões em função da alta valorização. E sai o resultado distorcido no balanço. Esses gatilhos nunca vão resolver o problema.
Como se resolve o problema? Equacionando a dívida. Nós temos vários caminhos para fazê-lo. Um deles é aumentar a receita. Nós temos uma gestão muito ruim, principalmente na área de Marketing. Hoje o Fluminense, na área do Marketing, só recebe receitas ordinárias. Ele não faz ações de Marketing que resultem em novas receitas.
Fluminense & Etc: O senhor teria projetos na área de Marketing, especificamente na questão do licenciamento? Nós temos um mercado consumidor com perfil de fidelidade e mais de 50% está nas classes de consumo A e B. Há nichos dentro do próprio mercado de torcedores do Fluminense que tem demandas reprimidas. O público feminino é um caso.
Peter Siemsen: Bom. Primeiro você vai ter que remodelar a forma como trata o licenciamento. Eu não acho que, num primeiro momento, o licenciamento vai causar um aumento de receita significativo. Hoje o Fluminense licencia toda e qualquer pessoa que bate na porta e oferece um contrato, mas não tem mecanismos para fiscalizar quanto de produtos é vendido. Então, sempre recebe pela taxa mínima de contrato, o que leva o mercado a crer que a marca Fluminense não vende bem. Isso cria uma imagem difícil de ser revertida no primeiro dia.
Então a gente precisa remodelar, enquadrar, como você atinge o real público consumidor do Fluminense. Porque, com esse tipo de produto que o Fluminense licencia hoje, você não vai atingir as classes A e B. O que, por exemplo, atingiria esse segmento? Se você cria uma linha infantil, com vários modelos, certamente bem trabalhados junto à torcida, é um produto caro, os produtos da Adidas são de alta qualidade, mas que vende bem. Já um chaveirinho, é muito mais difícil. Que tipo de chaveiro a classe A e B compra? Será que o mesmo que as outras classes? A gente tem que examinar que tipo de produto a gente quer colocar no mercado, que produto queremos licenciar. Para isso, temos que pegar o público e saber usar a ferramenta Internet do Fluminense. Vamos pegar um banco de dados do potencial comprador tricolor, do consumidor fidelizado pela marca. Quando a gente conseguir usar a Internet com essa finalidade de construir um banco de dados bem identificado, nós poderemos realizar diversas ações de Marketing, não só no licenciamento direto de produtos, como serviços, trabalhando com empresas de telefonia celular, com eventos, cartões de vantagens, como hoje você tem o passaporte tricolor…
Há muitas possibilidades de se trabalhar. O Fluminense tem que ir muito além na área do Marketing. Tem que trabalhar o evento jogo. O jogo tem um potencial de ganhos muito grande, seja de ações na área corporativa, seja negociando a relação com o estádio para que o clube participe na área do camarote, na alimentação, no estacionamento e que possa realizar promoções que tragam o torcedor para o estádio.
Vou dar um exemplo. Ontem o Fluminense deu um exemplo de Marketing negativo num jogo que passou para a TV aberta ( Fluminense x Coríntians, em 15/09 ). Um jogo que o Fluminense tem que levar imagem de clube forte. Forte de torcida, de paixão e de organização. Então você não pode deixar acontecer o que aconteceu ontem. A torcida toda no andar superior, aonde a televisão não filma. E onde a televisão filma, estava vazio. Então você passa para o Brasil inteiro a imagem de que o Fluminense não tem torcida. Isso é uma ação negativa de Marketing que para você recuperar o valor perdido, demora muito tempo.
Por isso eu sou candidato, porque com a atual gestão ou a outra candidatura, nada disso vai acontecer.
Fluminense & Etc: O senhor vai procurar um profissional de Marketing no mercado? Qual a função? Terá uma vice-presidência? Aproveitando esse gancho, como o senhor pretende compor seu staff? Quais serão as vice-presidências e como funcionarão?
Peter Siemsen: O Markerting precisa de uma pessoa trabalhando com o todo. Mas vamos precisar de alguns parceiros em algumas áreas. Por exemplo, na questão jogo, a idéia é realizar uma parceria com o Flamengo para o novo Maracanã, buscar uma relação onde Fluminense e Flamengo sejam proprietários dos seus jogos. O ideal seria termos um parceiro que administrasse o Maracanã, mas a gente sabe que o Maracanã, hoje, é um braço político. Então, talvez a gente não consiga uma concessão. Se não é possível a concessão, a gente tem que trabalhar com a propriedade do evento. Não dá mais para o Fluminense ter hoje no uso do Maracanã, o estádio mais caro do mundo. Para jogar no Maracanã, o Fluminense recebe 48% da renda líquida.
Seja lá como se compõe esses outros 52%, não é viável. Quem no mundo paga por um estádio 52% da receita que gera, fora a alimentação e estacionamento, entre outros, que o clube não recebe nada? Esse é um conceito totalmente antiquado e desatualizado do que é o valor comercial do estádio de futebol.
Nós estamos falando de um dos eventos, o futebol, de maior valor comercial do mundo. Então não podem Flamengo e Fluminense receber 48%.
Tudo isso envolve Marketing / Comercial.
Em jogo nós temos que trabalhar com um parceiro fora do Fluminense, que tenha expertise nessa área, fazendo o planejamento conosco.
Licenciamento idem. Hoje temos várias empresas especializadas que trabalham com personagens do mundo do entretenimento, imagem de celebridades. Quer dizer, por que o Fluminense não pode dar o mesmo tipo de tratamento profissional? A idéia é ter dentro do departamento de Marketing do Fluminense, um profissional bem remunerado e disputado no mercado. Com nível de remuneração do mercado corporativo brasileiro na área de Marketing.
Fora isso, nós queremos uma pessoa que conheça profundamente a história do Fluminense, que tenha raízes no clube, que conheça tudo do mesmo. Esse profissional será importante pra dar suporte nas ações de Marketing. Um profissional sem envolvimento com o clube não terá essa sensibilidade.
O Fluminense precisa entrar na área social. São áreas fundamentais que o Fluminense não trabalha. Precisamos ter uma pessoa dedicada para desenvolver um projeto social de formação de pessoas através do esporte, baseada em valores de respeito, caráter e comprometimento. O atleta, o torcedor tem que ir para a sociedade e mostrar o valor que o Fluminense tem. Isso também é Marketing.
Temos que usar o Marketing então, para agregar receitas diretas, indiretas e também agregar valor aos ativos do clube.
Com relação a staff, diretoria, nós estamos em fase de formação. Já temos alguns nomes para algumas áreas. Já temos um trabalho de reestruturação do modelo, aonde a gente vai manter algumas vice-presidências típicas de clube, que é normal, e vamos estruturar um comitê de trabalho, que será um comitê de dia a dia, que precisa se falar. Hoje o Fluminense não se comunica. Cada área defende sua própria receita, foge do caixa único e tenta trabalhar no que dá e no que tem. Temos que reformular tudo isso. Temos que fazer uma auditoria, reavaliar toda a situação financeira do clube, todas as suas áreas, criar orçamentos pra cada área e um fluxo administrativo contínuo, com reuniões periódicas, semanais. Mas não é reunião do conselho diretor, como é feita hoje, onde se discute 98% futebol e 2% o resto. Claro que teremos a reunião semanal do conselho diretor, que é política e importante dentro de um clube.
Eu queria voltar à questão do equacionamento da dívida, que é o fundamento principal. Equacionar as dívidas é possível. Não é propor projetos mirabolantes. É loucura achar que o mercado compra o Fluminense, ou que os credores trocarão as dívidas por ações do clube. Não há a menor possibilidade disso acontecer. Futebol tem um valor crescente de mercado.
A curva de crescimento do valor comercial do futebol brasileiro, principalmente na primeira divisão, cresceu demais nos últimos anos e tende a continuar crescendo. Com a internacionalização, ela tende a dobrar no futuro. Se o clube continuar nesse caminho, a receita tem condições de aumentar muito em relação ao serviço da dívida e às despesas, dando condições de gerar um superávit futuro, que nos dê condições de gerar um fluxo de pagamento da dívida.
Melhor do que isso, a gente tem condições de trabalhar com as receitas ordinárias do clube.
Em Xerém, no balancete do clube, ano passado, existe um custo de R$5,9 milhões. Quem vai a Xerém percebe: como o Fluminense gastou 5,9 milhões, se falta lençol, se os jornalistas estão proibidos de visitar os dormitórios e os vestiários? Xerém está abandonada na questão de estrutura. Não é na questão humana. As pessoas estão lá, estão tentando trabalhar. Mas a estrutura está abandonada. Aí você começa a se questionar sobre a capacidade de gestão dos recursos, porque é muito dinheiro para pouco resultado em termos de manutenção e infraestrutura. Se nós olharmos o custo do futebol do Fluminense, ele é muito alto em comparação com o resto do mercado se você incluir o valor de investimento da Unimed, que saiu na Veja recentemente.
A questão é: o Fluminense gasta muito, gasta mal e não constrói nada. Temos toda a possibilidade de reduzir o custo do clube, de aumentar a receita e usar a receita extraordinária, como venda de atletas, para abater a dívida, por exemplo, fazendo novos acordos na área trabalhista e voltar a trabalhar com o tribunal regional do trabalho no ato trabalhista que o Fluminense perdeu por não cumprir as obrigações, não pagar devidamente, enquanto Flamengo e Botafogo ainda tem o benefício, porque respeitaram as regras do jogo. Já o Fluminense deu um péssimo exemplo de governança e de falta de comprometimento.
A dívida fiscal vamos trabalhar de forma coletiva. Todos os clubes estão com esse problema. Não adianta dizer que o Fluminense vai resolver. Quem vai resolver é o trabalho coletivo de todos os clubes. O que não pode acontecer, é deixar de pagar o corrente.
Quando o Fluminense tiver valor e credibilidade, podemos então trabalhar seus ativos no mercado por um valor que merece. Se eu troco o valor de uma empresa ( o Fluminense ) pelo que vale hoje, eu vou vender muito barato. Não é essa a nossa idéia.
Fluminense & Etc: Sobre Xerém, o senhor deu uma entrevista ao João Marcelo Garcez, do Globoesporte.com, na qual apresentou uma proposta de algo parecido com o Fluminense ter uma empresa que fosse administrar a formação e a carreira dos atletas da base, até mesmo substituindo o papel do empresário. Não existe nenhum obstáculo no estatuto à adoção dessa solução?
Peter Siemsen: O estatuto diz que se o Fluminense criar uma S/A, ele tem que deter 51% dela. Primeiro que uma empresa dessa não seria uma S/A e sim uma Ltda. E o propósito é ocuparmos, não o lugar do empresário, em si, é ir muito além dele. É ocupar uma ausência completa no Fluminense hoje que é planejar a carreira do atleta, construir a carreira junto dele, dar assistência à família, quando essa tiver dificuldades financeiras, para que possa melhorar a vida dele e despreocupá-lo quanto a esse lado e avaliar condições técnicas de atletas que estejam em outras praças do Brasil e fora, para que possam integrar as divisões de base do Fluminense e que possa trabalhar também a área comercial.
A idéia é criar um fundo dedicado de investimento em atletas. Ou seja, você ter grupos de atletas que parte dos direitos econômicos pertença a um fundo dedicado onde os investidores compram quotas.
A idéia não substituiria todos os empresários. Ela entra onde o empresário não estiver ocupando, se tornando parceira de atletas que sejam promissores, a fim de trabalhar comercialmente a relação do atleta com o clube. Temos que evitar também o que acontece hoje, quando os atletas muito promissores têm empresários fortes no mercado. O que acontece? Quando ele vem assinar, aos 16 anos, o primeiro contrato com o Fluminense, o empresário já exige parte dos direitos econômicos. Assim o clube fica numa situação difícil, porque os atletas que tem menos valor como promessa, ficam 100% com o Fluminense, já os outros passam a serem fatiados com os empresários.
Não adianta eu dizer que está errado, porque esse é o mercado. O que nós temos que fazer é substituir essa situação. Como? Quem quiser entrar em sociedade com atletas promissores, que estão com a agência, terão que adquirir quotas, onde nós vamos dividir o risco. Vamos colocar uma cesta de atletas variada, em que o risco seja dividido com o investidor, que hoje só investe nas promessas. Em vez de fatiar 40 a 50%, como tenho visto hoje, vamos fatiar cinco ou seis atletas dando 15%.
Eu acho que essa agência vem com muito mais que isso. Ela vem com o projeto de aproveitar em outras praças os atletas que não forem aproveitados no Fluminense. Exemplos: leste europeu, a Austrália, que hoje vem desenvolvendo o futebol crescente, que pode absorver mão-de-obra e a América do Norte. O Fluminense pode emprestar, participar na cláusula penal, cláusula econômica futura deles. Com isso podemos arrecadar mais com Xerém e investir mais também.
Hoje pensamos tanto em Xerém como o futuro do Fluminense, que a idéia é, num primeiro momento, Xerém ser tratado como projeto estratégico da presidência, de forma que receba toda a atenção necessária por ser o futuro do Fluminense.
Fluminense & Etc: O senhor, caso eleito, será o presidente que finalmente construirá o nosso C.T.? Há viabilidade de ir para Xerém?
Peter Siemsen: O Fluminense tem uma área cedida pela prefeitura, assim como o hotel, mas é uma área que não pertence ao Fluminense e está sujeita a questões contratuais e políticas. Nós não podemos fazer um investimento de 20 a 30 milhões num C.T, estando sujeito a essas variáveis e riscos.
Prefiro construir uma escola em Xerém para atender jogadores e à região. Desenvolver o projeto social do Fluminense lá.
Já o futebol profissional, nós estamos estruturando um modelo para construir o C.T. do Fluminense, que é uma necessidade imediata, eu converso muito isso com o Celso ( Celso Barros ), porque ele se ressente muito da atividade do clube, porque o Fluminense não constrói nada. A Unimed paga tudo hoje. Quando você vai fazer transferência de atleta, tem o percentual de 1% do atleta. O Fluminense nunca tem dinheiro. Além de contratar o jogador, a Unimed tem que pagar a taxa de transferência.
Estamos discutindo isso e a primeira emergência que o Fluminense tem hoje é o C.T. Temos uma estrutura para atletas profissionais muito aquém do que demanda o mercado. Isso é muito ruim, primeiro porque fica mais caro trazer o atleta para o elenco do Fluminense. Segundo porque o atleta não quer ficar muito tempo no Fluminense, a não ser por uma remuneração muito alta, terceiro, porque acaba machucando os atletas, como a gente tem visto que vem acontecendo constantemente.
É emergencial atacar o problema. Nós estamos criando um projeto de fundo imobiliário, atrelando o investimento a um fundo de pensão. Nesse modelo, o fundo de pensão fica proprietário das quotas do fundo imobiliário, que é proprietário do terreno e da construção a ser feita. A idéia é captar cerca de R$20milhões, comprar o terreno de 50.000 metros quadrados e o restante iniciar a construção do C.T.
A idéia é trabalhar em três etapas. A dois e três a gente trabalha com projetos incentivados, baseados hoje na lei do esporte. Assim teríamos um C.T. de alto nível, classe A, compatível com o nível de investimento que é feito no futebol do clube. Isso é absolutamente viável.
Durante o período que o ativo fosse propriedade do fundo de pensão, o Fluminense teria que arrendar o C.T., até que pudesse resgatar as quotas e se tornar proprietário.
Fluminense & Etc: Candidato, é possível conciliar um projeto de saneamento das finanças com títulos no futebol? A pergunta é porque hoje nós temos o elenco mais caro do país. Em compensação, nós temos balanço negativo. O que nós precisamos fazer para equacionar essas duas questões. E quantos e quais títulos o senhor pretende conquistar?
Peter Siemsen: A primeira pergunta, eu tenho certeza que vai acontecer. Primeiro, nós temos o maior patrocinador individual, investindo direto no elenco e na comissão técnica. Isso significa que podemos ter o melhor elenco do Brasil pelo valor que a gente investe. Com isso temos condições de elevar o nosso faturamento, seja através de estádios lotados, seja ações de Marketing, aumento do valor de participação do torcedor, do sócio e aumentar o ticket médio de gastos. Acho que o Fluminense tem toda condição de amanhã participar de torneios preparatórios, jogar em outras praças, com alto interesse da região de tricolores e simples amantes do futebol. Temos condições de participar de uma Libertadores com o elenco que temos e toda condição de, com esse investimento feito no futebol profissional, potencializar enormemente as suas receitas, que, conseqüentemente, serão direcionadas para o equacionamento das dívidas, sobretudo por uma gestão muito austera do ponto de vista administrativo. Cada real tem que ser tratado como único.
Temos que tratar também o clube, que é alheio à unidade de negócio futebol, porque com isso podemos fazer um programa como o do Internacional de associação em massa do torcedor, com várias modalidades, para que possamos atingir um patamar de 40 mil sócios no mínimo, sempre, e não só quando o clube está bem.
Fluminense & Etc: Isso inclui direito a voto?
Peter Siemsen: Aí depende de quanto você vai pagar. Ele tem que participar com um investimento que seja uma contrapartida equilibrada do direito a voto, que tem um valor enorme na cidadania e democracia do Fluminense. O sócio é dono do Fluminense, o torcedor é cliente. O ideal é que o nosso torcedor também seja dono.
É óbvio que vamos trabalhar para que o torcedor opte pelo modelo mais caro, porque significa que ele está acreditando no clube, que ele quer freqüentar, que ele quer ir aos jogos e que ama o clube, que o respeita.
O Inter, no ano passado, tinha receita de oito milhões de patrocínio do Banrisul. Só que o faturamento do Inter é muito próximo do faturamento do Coríntians, que é o maior do Brasil. Só chegou a esse patamar, por causa da boa gestão e da parceria que fez com a torcida, transformando-a em sócia.
É um clube que, hoje, sabe trabalhar o Marketing como ninguém no Brasil. Temos que dar os parabéns e procurar no Inter os exemplos.
Eu acredito muito na internacionalização do futebol brasileiro. Tem Ronaldo, Roberto Carlos, Neymar ficando, Deco vindo. Está na hora de o Fluminense acordar. Não é a Unimed. A Unimed já sabe, já conhece, já contrata. Está faltando o Fluminense virar esse jogo.
Fluminense & Etc: Sobre a Unimed, seria o caso de a mesma assumir 100% do custo do futebol profissional, até trabalhando em cima do conceito de unidade de negócio?
Peter Siemsen: Não, a idéia é tornar a coisa mais profissional possível. Vamos planejar o ano. O Fluminense vai gastar no ano, em 13 meses ( incluindo o décimo terceiro ), X milhões. Ponto. É o orçamento. Não vou sair dele. Claro, qualquer empresa tem situações de emergência. Sempre tem que estar preparado. Mas você vai ter que seguir o orçamento. Plano de emergência é plano de emergência. Não é para ter emergência todo mês. Vamos planejar qual é o investimento nosso e dela. E eu acho que é muito correto o modelo. O modelo Fluminense x Unimed, apesar das críticas dos outros candidatos, dizendo que o dinheiro tem que ser administrado pelo clube, é correto.
Vendo o Fluminense administrar o dinheiro dele hoje, se a Unimed não participa, eu fico de cabelo em pé. Eu acho que a gente tem que provar primeiro a nossa capacidade de administrar antes de criticar qualquer coisa. Contamos com um belíssimo parceiro e agora precisamos provar que o Fluminense tem criatividade, sabe inovar, sabe aproveitar as ondas do mercado, sabe valorizar a torcida, sabe gerar valor direto e indireto… então, quando a gente achar que a gente sabe, pode sentar com a Unimed para propor um novo tipo de planejamento.
Planejamento, aliás, é coisa muito importante no futebol. Consiste em orçamento, ações de Marketing em conjunto. Nós temos que valorizar o nosso parceiro. Marketing tem que ser pensado conjuntamente. Hoje o Marketing do Fluminense não fala com a Unimed. Hoje Xerém não conversa com a Unimed. Acho que está na hora de todo mundo participar e planejar junto. A idéia é a gente montar a melhor equipe possível.
Na compra do direito de imagem, quando a Unimed compra a imagem de um jogador como Fred, como Deco, ela está comprando o valor comercial que o jogador tem. Quando o Fluminense faz o contrato de trabalho, ele está comprando os direitos sobre a capacidade esportiva dele. Tem jogadores que são ótimos esportivamente, mas não construíram nenhum fundo de comércio ainda. Então eles não vendem nada. Não adianta você querer fazer uma campanha da TIM, uma campanha da CLARO, ou de qualquer empresa com um jogador desconhecido, com alta capacidade de rendimento hoje. O Maicon estava jogando muito, mas você acha que o Maicon conseguiria um contrato para fazer uma campanha de publicidade de uma grande empresa? É um modelo que o Coríntians já adota com Ronaldo, o Santos com Neymar e o Fluminense adota pelo patrocinador, porque o Fluminense, ele não sabe nem lidar com esse modelo. Para que então quer o dinheiro dentro do Fluminense? Se você não sabe nem fazer o seu, se você gera dívida em cima do que não existia, por falta de compromisso, se você deixa de pagar R$1.000,00 para um funcionário que tem que pagar aluguel, se deixa de fazer tanta coisa por mediocridade, má vontade… Com decisões forjadas no âmbito político e não no âmbito técnico.
As decisões deveriam ser todas balizadas no âmbito técnico. E isso é um compromisso, pode gravar. As decisões a partir de dezembro serão tomadas no âmbito técnico. Acabou política. Não tem mais conversa no Fluminense.
Claro que dá para trabalhar muito bem com a Unimed. A idéia é que eles comprem o direito de imagem da maioria dos atletas do Fluminense, mas que o Fluminense pague em dia também, mostre que é um bom parceiro. O Fluminense não está em dia porque as pessoas são muito ruins, não os funcionários, mas a diretoria.
Fluminense & Etc: O título mais importante do Fluminense, que, na verdade, é uma condecoração, é a Taça Olímpica, que foi conquistada em 1949, entre outras razões pela enorme quantidade de títulos que conquistava nas modalidades olímpicas, o que hoje não ocorre. Pelo menos não com a mesma intensidade. O senhor tem algum projeto para resgatar isso para o clube? Como os jogos olímpicos de 2016 podem se inserir nisso?
Peter Siemsen: Esse é um assunto importante. Dois terços do espaço físico do Fluminense são ocupados pelos esportes olímpicos. Ocupa muito mais espaço que o futebol. Tem que ser tratado com a importância que merece dentro da vida do clube. O Fluminense é um clube como um todo, não é só futebol, nem só esportes olímpicos, nem é só social.
A gente sabe que quem vai gerar valor para equacionar a dívida é o futebol. O esporte olímpico tem valor de imagem, é valor indireto. É um valor onde nós temos no Brasil hoje uma situação extremamente positiva. Você tem uma lei de incentivo ao esporte que é extraordinária, onde as empresas podem usar até 1% de seu imposto de renda em projetos esportivos, que pode ser direcionado a formação de atletas e equipes olímpicas. Isso pode ser perpetuado e não só atender à Olimpíada de 2016, dentro da perspectiva de alto rendimento. O mercado é muito bom hoje.
O que o Fluminense precisa? Precisa criar seus próprios projetos, trabalhar na auto-sustentação dos projetos e ter importante foco na formação dos atletas, do caráter das pessoas nas escolinhas.
Hoje o Fluminense já tem escolinhas muito boas. Claro que sempre dá para melhorar, para investir mais, estruturar melhor, trabalhar mais valores ainda na formação da pessoa.
Mas está faltando ao Fluminense uma capacidade de receitas para equipes olímpicas e para investimentos em projetos de longo prazo, que resultem na equipe adulta. Isso tem que ser trabalhado com projeto incentivado. O projeto incentivado precisa de um projeto bem feito, certidão e captação de recursos no mercado. Não é difícil. O Pinheiros trabalha assim, o valor da bolsa dos atletas olímpicos tem aumentado muito por conta dos projetos incentivados. Como o Fluminense ainda está fora deles, tem dificuldade de concorrer.
Os outros clubes usam essa receita que não é ordinária do clube, que é uma receita própria do projeto, enquanto o Fluminense tem que usar sua própria receita para fazer frente aos adversários bem estruturados como Pinheiros e Minas.
Hoje, no esporte olímpico, o Fluminense tem nichos de alta capacidade, pessoas de qualidade. Está faltando esse suporte profissional de estruturar projeto, captar no mercado e fazer o investimento. De qualquer forma, no esporte olímpico a gente já vem trabalhando com algumas áreas e até a própria Unimed vem participando da natação do Fluminense, o que mostra que a Unimed gosta do Fluminense como um todo. Ela quer que o Fluminense progrida como um todo.
Nós estamos trabalhando em alguns projetos pra trazer atletas de ponta para ajudar o Fluminense a captar novos patrocínios que são capitaneados pela imagem comercial, exatamente como no futebol. Você trás os atletas que vendem comercialmente e com eles, o investimento para ser distribuído na equipe como um todo. Com isso pode estruturar e remunerar melhor as equipes do Fluminense. E a gente já está fazendo isso. Em breve nós vamos apresentar aí equipes novas do Fluminense.
Por: Marcelo Savioli/Gabriel Cardozo
Produção e edição de áudio e vídeo: Marcello Vieira e Leandro Araújo
Coordenação: Gabriel Cardozo
Edição final: Marcello Vieira e Leandro Araújo.
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domingo, 26 de setembro de 2010
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Fluminense e Corinthians se enfrentam pela Liga Brasileira de Futebol Americano
Acontecerá neste domingo, dia 26 de Setembro a partir das 14h00min o próximo jogo do nosso time de futebol americano,
Fluminense Imperadores enfrentarão o Corinthians Steamrollers no estádio Figueira de Melo em São Cristóvão (campo do São Cristóvão Futebol Clube)
Corinthians e Fluminense estão brigando pela liderança do Brasileirão, buscamos manter nossa invencibilidade temos, pois três jogos e três vitória enquanto o Corinthians venceu duas vezes e perdeu uma partida.
Nos últimos dias a partida ganhou uma pitada a mais com a estréia do ator e empresário Alexandre Frota pelo Corinthians, que empolgado por estar praticando o esporte aos 46 anos, pretende ajudar a divulgar o futebol americano.
A entrada será 1 kg de alimento que será doado a ONG Viva Rio.
Durante o jogo serão sorteados Brindes Outback Steakhouse!
Compareçam! Levem suas bandeiras, o apoio da torcida será fundamental rumo a mais uma vitória!
Por Gabriel Cardozo
Siga-me no Twitter: twitter.com/gabrielcardozo
Escrevo também para www.fluminenseetc.com.br
Fluminense Imperadores enfrentarão o Corinthians Steamrollers no estádio Figueira de Melo em São Cristóvão (campo do São Cristóvão Futebol Clube)
Corinthians e Fluminense estão brigando pela liderança do Brasileirão, buscamos manter nossa invencibilidade temos, pois três jogos e três vitória enquanto o Corinthians venceu duas vezes e perdeu uma partida.
Nos últimos dias a partida ganhou uma pitada a mais com a estréia do ator e empresário Alexandre Frota pelo Corinthians, que empolgado por estar praticando o esporte aos 46 anos, pretende ajudar a divulgar o futebol americano.
A entrada será 1 kg de alimento que será doado a ONG Viva Rio.
Durante o jogo serão sorteados Brindes Outback Steakhouse!
Compareçam! Levem suas bandeiras, o apoio da torcida será fundamental rumo a mais uma vitória!
Por Gabriel Cardozo
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segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Entrevista com o Julio Bueno
Primeiro a participar da série de entrevistas com os candidatos à presidência do Fluminense F.C. é Júlio Bueno, candidato da corrente Transforma Flu. O engenheiro, atualmente à frente da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços, gentilmente nos recebeu para a entrevista que apresentamos em seguida. Em instantes também estaremos divulgando o áudio completo da entrevista.
Fluminense & Etc: Candidato, fala-se muito em renegociação da dívida do Fluminense F.C. Sabemos que deve ser prioridade para qualquer gestão. Uma contrapartida, no entanto, com geração de receitas seria fundamental para que o clube possa sentar-se à mesa com os credores. Outra contrapartida seria a redução dos gastos e das despesas a um patamar sustentável. Como será tratada essa questão na sua gestão, que receitas o senhor pretende gerar e como serão enquadrados os gastos dentro dessas receitas?
Julio Bueno: Primeiro, a minha experiência de vida na área pública tem tido como patamar fundamental a qualidade de gastos. Não é só uma questão de redução, mas de qualidade de gasto. Se você olhar, estatisticamente, os clubes que tem maior orçamento, são os que mais ganham. Tem um livro chamado Soccer Economics, talvez o mais importante do mundo do futebol, que mostra isso.
Nós temos que lutar para ter um orçamento no Fluminense no tamanho das nossas expectativas, mas a gente tem que gastar direito. Tem vários exemplos, mas vou citar um. Será que precisávamos trazer um centroavante de 35 anos, que até está fazendo gol e deixar ir embora um menino que tem 20 anos e ganhava um terço ou quarto de seu salário? Será que a gente precisava ter perdido o nosso beque, Dalton, que era da seleção brasileira? A questão central é essa. Mas é importante deixar claro que não resolveremos os problemas do Fluminense só reduzindo despesas.
O que a gente tem que fazer é usar o Capitalismo. Na verdade, o Capitalismo diz assim: o Fluminense vale quanto? O Fluminense, segundo a conta que fizemos, vale no mínimo 150 a 200 milhões de dólares. Se você cria o Flu S/A, o que te possibilita vender cotas, você tem poder para, primeiro, renegociar com o credor, segundo, discutir de novo a questão trabalhista. Nós não conseguiremos tirar o Fluminense do imbróglio que ele está, se a gente não tiver uma solução criativa e, do meu ponto de vista, usando o capitalismo. O que vale dizer é que os outros candidatos nem pensam nisso. Eles pensam em resolver a questão do Fluminense fazendo “mais do mesmo”. Com as receitas atuais, isso não resolve. Vai levar 250 mil anos. Eu tive um professor de física que dizia que todo problema é solucionável num tempo infinito. Essa é a diferença fundamental. Aqui nós temos um candidato com experiência empresarial e que vai usar instrumentos do mercado financeiro.
Fluminense & Etc: Uma de suas propostas então para solucionar o problema de geração de receitas seria a abertura de capital?
Julio Bueno: Eu tenho um banco comigo, o mais importante na abertura de capital, não vou revelar o nome, mas pela descrição, vocês vão saber quem é, está fazendo comigo a modelagem… na verdade a gente tem dúvida se será abertura de capital ou não. Mas vai ser S/A. Venderemos cotas no mercado financeiro, para os associados, para os torcedores. Os torcedores serão donos do Fluminense.
Fluminense & Etc: Todos os candidatos parecem ser unânimes em condenar o modelo atual de parceria com a Unimed…
Julio Bueno: Desculpa, todos não! Esse candidato aqui sim, o outro não. O outro diz que vai fazer gestão compartilhada com a Unimed. Eu não. No meu ponto de vista a Unimed será sempre bem vinda, com o recurso entrando no Fluminense e a gestão do mesmo feita pelo clube. Desculpe a interrupção, mas temos que marcar a diferença.
Fluminense & Etc: Na verdade, perguntaríamos sobre o modelo atual, porque ele se sustenta na premissa de que é necessário blindar as receitas do patrocínio contra as penhoras.
Julio Bueno: O que é verdade. Só para a gente não crucificar a Unimed, é importante dizer que no atual modelo, na forma como o Fluminense está sendo gerido, o patrocínio ser feito por fora do Fluminense, há razões importantes para fazer.
Na nossa gestão o que faremos é dar autonomia de decisão ao Fluminense. E isso implica, necessariamente, a gente ter as dívidas equacionadas, em particular as trabalhistas.
Fluminense & Etc: O senhor teria alguma outra opção de parceria ou patrocinador na manga, até para poder fortalecer o clube numa futura negociação até mesmo de renovação do contrato com o parceiro atual?
Julio Bueno: É irresponsável qualquer candidato do Fluminense que, pelo menos, não vá ao mercado saber as opções. Portanto, iremos ao mercado. Adoramos a Unimed, que tem sido muito importante para o Fluminense, mas é nossa obrigação olhar outras alternativas, até para que possamos fazer uma negociação mais justa.
Fluminense & Etc: O Fluminense tem sido, nos últimos anos, um grande formador de atletas no futebol, acumulando conquistas nas divisões de base. No entanto, o aproveitamento desses atletas no time principal tem ficado aquém das expectativas, sendo em retorno esportivo e retorno financeiro. Qual seria o seu plano para aproveitar melhor esse potencial e atenuar os efeitos das ações dos empresários, como no caso Dalton?
Julio Bueno: A questão central do Fluminense a ser resolvida é a financeira. Se a gente conseguir equacionar a questão financeira, a gente vai conseguir dar uma estrutura a Xerém que a gente não tem hoje. Por que Maicon e Alan acabaram indo embora? Primeiro porque os empresários estão em Xerém. Segundo porque o Fluminense não tinha recursos e teve que vender todo o resto da parcela do Alan para ficar com o Conca. É a própria escolha de Sofia ( referindo-se ao romance de Wilian Styron em que a protagonista, prisioneira de um campo de concentração nazista, é obrigada a escolher entre o filho e a filha qual seria morto ).
É absolutamente essencial que a gente mude a lógica. Se não mudar, eu não vejo muita alternativa nem muita saída. Só a melhoria da gestão ( dos recursos ) implica em fazer o “mais do mesmo”. Eu reconheço que a melhoria da gestão ajuda, mas o que o Fluminense precisa é de um salto quântico no seu modelo.
Fluminense & Etc: Como o senhor pretende compor o seu staff? Quais seriam as vice-presidências e suas atribuições? O senhor pretende contratar profissionais qualificados no mercado? Já tem essas pessoas e o papel que irão desempenhar?
Júlio Bueno: A nossa proposta é muito clara. Ela muda a organização do Fluminense. Não vai ter mais vice-presidente amador. Hoje o vice de futebol é amador. O de esportes olímpicos idem. Isso vai acabar.
Vamos compor as vice-presidências, logo num primeiro momento, como o conselho de administração de uma empresa. Num primeiro momento será necessário, em função do estatuto, nomear por área, mas não funcionarão como tal. Elas funcionarão como o conselho de administração de uma empresa. O conselho de administração de uma empresa estabelece o planejamento estratégico, o sistema de gestão e os indicadores ( de desempenho ). Teremos profissionais contratados no mercado, que não serão escolha do presidente e sim do conselho de administração, composto por esses vice-presidentes.
Teremos quatro executivos. O primeiro será o diretor-executivo. Teremos também o diretor de futebol, de esportes olímpicos e o diretor de administração. Caberá ao diretor de futebol gerenciar todo o departamento de futebol.
Exemplos de profissionais que me encantam, não quer dizer que serão eles. O Parreira seria um excelente profissional, por sua bagagem internacional, por falar idiomas. O Fluminense precisa ter uma dimensão internacional.
Para diretor de esportes olímpicos, por exemplo, quem me encantaria, mas não vai topar, é o atual secretário do pan da prefeitura, Carlos Alberto Osório que foi um dos artífices para ganharmos os Jogos Olímpicos.
Um diretor administrativo financeiro que teria o papel de nos ajudar a equacionar a divida e a gerenciar o patrimônio do clube.
Acima deles teria o diretor executivo geral, que seria responsável pela marca do Fluminense. Porque, na verdade, o Fluminense de hoje vale pela sua marca. Se você pegar o balanço do Fluminense, o patrimônio líquido do clube é negativo. Quer dizer, tudo que o Fluminense tem não paga as dívidas. Mas a marca não está colocada. Se colocar a marca, vai valer muito mais. Então, esse cidadão, contratado também no mercado, será responsável pela marca, que tem dois pilares, que é a história do Fluminense e a sua torcida.
Aliás gostaria de dizer a vocês em primeira mão que no dia 18/09 ( o evento ocorreu ontem ), o Fluminense, em conjunto com minha candidatura, estará trazendo todo o time de 1970 para comemorar os 40 anos do campeonato brasileiro, Taça de Prata. Então virão: Félix, Galhardo, Assis e Marco Antônio. Denílson e Didi, que parece que vem do México para o evento. Cafuringa, Flávio, Samarone, Lula, Mickey e Jair. Esses jogadores, no dia 18, às 11:00, em grande festa da candidatura, que o Fluminense apoiará. Esses jogadores receberão medalhas do time da máquina. Paulo César, Gil, Manfrini… Riva não estará pois estará na Itália de férias.
O que quero mostrar com isso é o meu compromisso com as duas coisas fundamentais no Fluminense, que são a sua história e sua torcida.
Fluminense & Etc: O Fluminense ficará sem estádio até 2012. O Fluminense fechou contrato para uso do Engenhão nesse período. Mas existe o projeto da Arena Fluturo. O senhor estuda alguma forma de viabilizar esse projeto, tem algum projeto para construção de um estádio ou trabalha em outra alternativa para o Fluminense mandar seus jogos?
Julio Bueno: Eu acho que não tem alternativa de curto prazo. Eu, sinceramente, acho que o Fluminense deve dividir o Maracanã com o Flamengo no modelo adotado no San Siro. Eu não acho que o clube deveria gerenciar o Maracanã. Deveria haver uma operadora, a exemplo do que existe na Europa, gerenciando isso, tendo Fluminense e Flamengo como entes fidelizados. A operadora não usaria o estádio somente para jogos, mas também para shows, convenções, como é o campo do Arsenal, do Real Madri, do Ájax, são modelos que eu conheço.
Mas acho que o Fluminense tem que ter uma arena própria, que não precisa ser maior que 25.000 pessoas. Uma arena em que a gente se enxergue, que a gente resgate a nossa história, em que a gente possa dizer que ali é a nossa casa. Acho que o primeiro lugar que nós temos que analisar a viabilidade, é o próprio estádio das Laranjeiras. Se a gente conseguisse fazer um projeto, que fosse apoiado pela prefeitura e pela comunidade, fazendo uma arena para 20.000 pessoas nas Laranjeiras, nós estaríamos resgatando a nossa história e o nosso passado.
Fluminense & Etc: O atual processo eleitoral trouxe muitos novos sócios ao clube, decididos a influir no resultado da eleição. Mostra que o torcedor do Fluminense deseja participar da política do clube. O senhor pensa na democratização do clube, por exemplo, partindo da criação de uma modalidade de sócio-torcedor com direito a voto?
Júlio Bueno: Não. Eu pretendo fazer mais. Pretendo que a torcida seja dona do Fluminense. De novo, nosso modelo não é fazer com que a torcida entre no clube e vote. Não é isso. O que a gente está dizendo é outra coisa. A gente acha que o Fluminense como marca, como entidade, é muito grande, ele pertence a nove milhões de torcedores e eles tem que ser donos do Fluminense. E sendo donos do Fluminense, influenciarão no seu destino, assim como quem é dono da Petrobrás, da Vale do Rio Doce e do Bradesco, influenciam nas decisões dessas entidades.
A pergunta então foi como é que a torcida entra no clube para votar. A resposta é, ao contrário, é o clube sair e ser de propriedade da torcida ( referindo-se à transformação do clube em S/A ).
Completamente diferente do outro candidato, que tem propostas absolutamente medíocres. “Mais do mesmo”.
Fluminense & Etc: Nas últimas décadas o Fluminense perdeu importância nos esportes amadores. Até a década de 70 o Fluminense conquistava títulos quase que “diariamente” em diversas modalidades. O senhor tem algum projeto para revitalizar o esporte amador e retomar essa trajetória de conquistas, levando em conta a projeto da Olimpíada de 2016?
Julio Bueno: Eu cheguei ao Fluminense através do futebol. As arquibancadas do Maracanã foram o cupido dessa relação. No entanto, eu tenho que reconhecer que o maior título, a maior honraria concedida ao Fluminense, foi a Taça Olímpica, em 1949, uma premiação e reconhecimento à excelência nos esportes olímpicos. Mais ainda, o esporte olímpico eleva a marca.
Desculpe, mas eu não posso deixar de dizer os meus apoios. Eu tenho o apoio do presidente Nuzman, que declarou, por escrito, o apoio à nossa candidatura. O Governador Sérgio Cabral declarou publicamente o apoio à minha candidatura. Esses dois, talvez sejam os dois mais importantes agentes das olimpíadas de 2016. E tem o prefeito, que também é meu amigo.
O que tem que fazer é diferenciar duas coisas. Tem o esporte olímpico de base, que precisa de infraestrutura. E tem os atletas de alta performance. O que esses precisam é de patrocínio. Eu pergunto à comunidade olímpica do Fluminense quem é que tem mais potencial para buscar patrocínio. Só para lembrar, na campanha, nós conseguimos duas coisas muito importantes para o Fluminense. A primeira foi o ônibus do Fluminense. Nós conseguimos que a VW desse um ônibus para o Fluminense, à semelhança do que já tem o Coríntians, Palmeiras, Santos, Flamengo, Vasco – o Botafogo não tem ( risos ) -. Outra coisa que eu consegui foi o apoio da Spoleto. Coisa pequena, mas importante. Então, nos esportes olímpicos de alta performance há que se ter capacidades de se conseguir empresas para colocar no Fluminense. Aí, mais uma vez, eu pergunto ao eleitor do Fluminense, qual dos dois candidatos tem mais capacidade para isso?
Aliás, o outro candidato, ele se fixa na relação com a Unimed. Mas é importante dizer que nos 11 anos em que a Unimed patrocina o clube, não apoiou qualquer modalidade.
Fluminense & etc: Não houve esse apoio no basquete?
Júlio Bueno: Houve, houve foi um tremendo fracasso, muito obrigado por ter lembrado. Foi um enorme fracasso.
Fluminense & Etc: Candidato, diante dos graves problemas financeiros do clube, é possível conciliar o saneamento do clube com títulos no futebol? Queríamos que o senhor fizesse um apanhado dessa situação, considerando os recentes prolongamentos de contratos com os jogadores do elenco atual até o final de 2012.
Julio Bueno: É uma situação desconfortável tanto para o patrocinador quanto para o patrocinado. Nós teremos todo o interesse em renovar o contrato com o atual patrocinador. O patrocinador tem sido muito importante para o clube. Mas em outras bases. Em bases que o clube tenha autonomia nas decisões.
Não sei se você sabe, eu fui presidente da BR Distribuidora, que, na ocasião, patrocinava o Flamengo. Sabe quantas vezes eu escalei algum jogador do Flamengo? Sabe quantas vezes eu escolhi um jogador?
Fluminense & Etc: Se pudesse, o Flamengo estaria na série B, certo? ( risos ).
Julio Bueno: Por outro lado, tem essa questão. Vamos negociar de forma adulta. Porque no Capitalismo não tem ódio nem amor, tem interesse. Vamos sentar e negociar.
Agora outra coisa importante é que há grandes desafios. Talvez o maior desafio da minha vida seja essa questão do Fluminense. Porque não adianta você pagar a dívida e o time ir para a quarta divisão. O Fluminense tem a obrigação de ser competitivo.
Por outro lado, me permita a digressão, eu tenho a esperança que a gestão bem feita no futebol, ela acaba sendo eficiente também. O ano de 1970 talvez tenha sido um dos mais importante da história do Fluminense. O Brasil foi campeão do mundo. Todos os jogadores da seleção jogavam no Brasil. No Santos jogavam Pelé, Clodoaldo e Edu. No Botafogo, Jairzinho, Roberto e Paulo César, no Cruzeiro Brito, Dirceu Lopes, Tostão e Piazza. No São Paulo o Gerson e o Pedro Rocha. E o campeão foi o Fluminense. Mas naquele tempo a gente tinha o presidente Laport, tinha o Almir de Almeida gerenciando o futebol e o José de Almeida sendo o grande estatístico.
Então eu acho que uma gestão inteligente e competente, ela pode levar a resultados até melhores que um gastar desenfreado e sem lógica e planejamento.
Fluminense & Etc: Com relação ao time atual?
Julio Bueno: Temos que enfrentar a questão. Por exemplo, há jogadores que são importantes e emblemáticos, como o Conca, o Mariano. Vamos tentar manter a base. Mas jogador tem que ser produtivo, tem que jogar. Não adianta jogar 40% dos jogos. É a política do Barcelona. O jogador que joga 100% das partidas e é campeão ganha um bônus.
Fluminense & Etc: Quantos e quais títulos o senhor pretende ganhar no futebol profissional em sua gestão?
Julio Bueno: O problema é que eu não tenho bola de cristal ( risos ). Aí tem duas questões engraçadas. Tem dois livros que são best sellers no mundo, que eu gostaria de citar pela diferença. Um é “A bola não entra por acaso”, que fala da experiência do Barcelona e de como o planejamento do clube implicou quase em um nexo causal, de causa e efeito, de se planejar, melhorar e ser campeão. Mas tem outro livro, também best seller, chamado “O andar do bêbado”, que mostra a randomicidade da vida, que mostra o acaso. Quanto mais vezes você chega na final,mais esperanças você tem de ganhar. Mas eu não posso, em sã consciência, dizer o que eu quero ganhar. Se puder, eu quero ir à Coréia, a Tókio, a Dubai… e morrer feliz.
Ah, mas eu quero ganhar também a liga de futebol de salão, voleibol e basquete. O time de voleibol já temos acertado de boca.
Fluminense & Etc: O Fluminense conta com um mercado cativo de alto poder aquisitivo, com uma torcida participativa e engajada. Realizamos uma pesquisa recente que mostra que esse mercado consumidor é mal aproveitado. O senhor tem algum plano para explorar a totalidade desse potencial de mercado da marca Fluminense, sobretudo através de licenciamento? Há profissionais de Marketing no mercado com os quais o senhor deseja contar? Qual trabalho seria feito para valorizar a marca do clube?
Julio Bueno: Olha só. Eu tenho conceitos. Eu não tenho planos definidos, nem pessoas definidas. Diferentemente do outro candidato, que todo mundo sabe que cativou apoios a partir de trocas, não tenho acordos feitos. De novo, para lembrar, nós vamos formar o nosso conselho de administração e vamos escolher as pessoas.
Mas eu quero lembrar, com relação a marca, que eu realizei uma das experiências mais espetaculares de construção de marca realizadas no Brasil: a do Inmetro. Quando eu entrei no Inmetro, ele era conhecido por traço. Quando eu sai, o Inmetro era conhecido por 85% das pessoas. E 90% confiavam e confiam, até hoje, no instituto, o que foi conquistado através do programa “Fantástico” através dos testes de produto, em convênio com a TV Globo.
Eu tenho uma experiência muito exitosa com relação a penetração da marca. No entanto eu não tenho nenhum profissional escolhido.
Quanto ao licenciamento, é muito mal explorado no Brasil. Talvez agora, o Internacional comece a fazer coisas mais profissionais. O que a gente tem que fazer é olhar os exemplos internacionais. Caso do Arsenal. O mercado asiático. Os clubes ingleses hoje usam o mercado asiático e tem licenciamento, merchandising, etc.
Fluminense & Etc: Tem planos de construir um CT ou alguma proposta para maximizar os resultados da preparação em geral do time profissional? E por que não Xerém, já que existe uma estrutura já pronta e que aproximaria os profissionais das divisões de base?
Júlio Bueno: A construção de um centro de treinamento é fundamental para o Fluminense. É impossível ser top no Brasil e no mundo sem um CT adequado, onde os jogadores possam treinar, descansar ou se tratar, quando necessário. Xerém tem todas as condições para abrigar um centro de treinamento, no entanto, diversos experts em futebol consultados por nós têm desaconselhado que o time principal treine junto das divisões de base. Portanto, temos que aprofundar esta discussão, entender melhor este assunto, para buscar a melhor solução.
Por: Marcelo Savioli/Gabriel Cardozo
Produção e edição de áudio e vídeo: Leandro Araújo
Coordenação: Gabriel Cardozo
Colaborou: Marcello Vieira
Edição final: Marcello Vieira e Leandro Araújo.
Siga-me no Twitter: www.twitter.com.br/gabrielcardozo
Entrevista dada para o Fluminense e etc (Site onde escrevo também)
www.fluminenseetc.com.br
Fluminense & Etc: Candidato, fala-se muito em renegociação da dívida do Fluminense F.C. Sabemos que deve ser prioridade para qualquer gestão. Uma contrapartida, no entanto, com geração de receitas seria fundamental para que o clube possa sentar-se à mesa com os credores. Outra contrapartida seria a redução dos gastos e das despesas a um patamar sustentável. Como será tratada essa questão na sua gestão, que receitas o senhor pretende gerar e como serão enquadrados os gastos dentro dessas receitas?
Julio Bueno: Primeiro, a minha experiência de vida na área pública tem tido como patamar fundamental a qualidade de gastos. Não é só uma questão de redução, mas de qualidade de gasto. Se você olhar, estatisticamente, os clubes que tem maior orçamento, são os que mais ganham. Tem um livro chamado Soccer Economics, talvez o mais importante do mundo do futebol, que mostra isso.
Nós temos que lutar para ter um orçamento no Fluminense no tamanho das nossas expectativas, mas a gente tem que gastar direito. Tem vários exemplos, mas vou citar um. Será que precisávamos trazer um centroavante de 35 anos, que até está fazendo gol e deixar ir embora um menino que tem 20 anos e ganhava um terço ou quarto de seu salário? Será que a gente precisava ter perdido o nosso beque, Dalton, que era da seleção brasileira? A questão central é essa. Mas é importante deixar claro que não resolveremos os problemas do Fluminense só reduzindo despesas.
O que a gente tem que fazer é usar o Capitalismo. Na verdade, o Capitalismo diz assim: o Fluminense vale quanto? O Fluminense, segundo a conta que fizemos, vale no mínimo 150 a 200 milhões de dólares. Se você cria o Flu S/A, o que te possibilita vender cotas, você tem poder para, primeiro, renegociar com o credor, segundo, discutir de novo a questão trabalhista. Nós não conseguiremos tirar o Fluminense do imbróglio que ele está, se a gente não tiver uma solução criativa e, do meu ponto de vista, usando o capitalismo. O que vale dizer é que os outros candidatos nem pensam nisso. Eles pensam em resolver a questão do Fluminense fazendo “mais do mesmo”. Com as receitas atuais, isso não resolve. Vai levar 250 mil anos. Eu tive um professor de física que dizia que todo problema é solucionável num tempo infinito. Essa é a diferença fundamental. Aqui nós temos um candidato com experiência empresarial e que vai usar instrumentos do mercado financeiro.
Fluminense & Etc: Uma de suas propostas então para solucionar o problema de geração de receitas seria a abertura de capital?
Julio Bueno: Eu tenho um banco comigo, o mais importante na abertura de capital, não vou revelar o nome, mas pela descrição, vocês vão saber quem é, está fazendo comigo a modelagem… na verdade a gente tem dúvida se será abertura de capital ou não. Mas vai ser S/A. Venderemos cotas no mercado financeiro, para os associados, para os torcedores. Os torcedores serão donos do Fluminense.
Fluminense & Etc: Todos os candidatos parecem ser unânimes em condenar o modelo atual de parceria com a Unimed…
Julio Bueno: Desculpa, todos não! Esse candidato aqui sim, o outro não. O outro diz que vai fazer gestão compartilhada com a Unimed. Eu não. No meu ponto de vista a Unimed será sempre bem vinda, com o recurso entrando no Fluminense e a gestão do mesmo feita pelo clube. Desculpe a interrupção, mas temos que marcar a diferença.
Fluminense & Etc: Na verdade, perguntaríamos sobre o modelo atual, porque ele se sustenta na premissa de que é necessário blindar as receitas do patrocínio contra as penhoras.
Julio Bueno: O que é verdade. Só para a gente não crucificar a Unimed, é importante dizer que no atual modelo, na forma como o Fluminense está sendo gerido, o patrocínio ser feito por fora do Fluminense, há razões importantes para fazer.
Na nossa gestão o que faremos é dar autonomia de decisão ao Fluminense. E isso implica, necessariamente, a gente ter as dívidas equacionadas, em particular as trabalhistas.
Fluminense & Etc: O senhor teria alguma outra opção de parceria ou patrocinador na manga, até para poder fortalecer o clube numa futura negociação até mesmo de renovação do contrato com o parceiro atual?
Julio Bueno: É irresponsável qualquer candidato do Fluminense que, pelo menos, não vá ao mercado saber as opções. Portanto, iremos ao mercado. Adoramos a Unimed, que tem sido muito importante para o Fluminense, mas é nossa obrigação olhar outras alternativas, até para que possamos fazer uma negociação mais justa.
Fluminense & Etc: O Fluminense tem sido, nos últimos anos, um grande formador de atletas no futebol, acumulando conquistas nas divisões de base. No entanto, o aproveitamento desses atletas no time principal tem ficado aquém das expectativas, sendo em retorno esportivo e retorno financeiro. Qual seria o seu plano para aproveitar melhor esse potencial e atenuar os efeitos das ações dos empresários, como no caso Dalton?
Julio Bueno: A questão central do Fluminense a ser resolvida é a financeira. Se a gente conseguir equacionar a questão financeira, a gente vai conseguir dar uma estrutura a Xerém que a gente não tem hoje. Por que Maicon e Alan acabaram indo embora? Primeiro porque os empresários estão em Xerém. Segundo porque o Fluminense não tinha recursos e teve que vender todo o resto da parcela do Alan para ficar com o Conca. É a própria escolha de Sofia ( referindo-se ao romance de Wilian Styron em que a protagonista, prisioneira de um campo de concentração nazista, é obrigada a escolher entre o filho e a filha qual seria morto ).
É absolutamente essencial que a gente mude a lógica. Se não mudar, eu não vejo muita alternativa nem muita saída. Só a melhoria da gestão ( dos recursos ) implica em fazer o “mais do mesmo”. Eu reconheço que a melhoria da gestão ajuda, mas o que o Fluminense precisa é de um salto quântico no seu modelo.
Fluminense & Etc: Como o senhor pretende compor o seu staff? Quais seriam as vice-presidências e suas atribuições? O senhor pretende contratar profissionais qualificados no mercado? Já tem essas pessoas e o papel que irão desempenhar?
Júlio Bueno: A nossa proposta é muito clara. Ela muda a organização do Fluminense. Não vai ter mais vice-presidente amador. Hoje o vice de futebol é amador. O de esportes olímpicos idem. Isso vai acabar.
Vamos compor as vice-presidências, logo num primeiro momento, como o conselho de administração de uma empresa. Num primeiro momento será necessário, em função do estatuto, nomear por área, mas não funcionarão como tal. Elas funcionarão como o conselho de administração de uma empresa. O conselho de administração de uma empresa estabelece o planejamento estratégico, o sistema de gestão e os indicadores ( de desempenho ). Teremos profissionais contratados no mercado, que não serão escolha do presidente e sim do conselho de administração, composto por esses vice-presidentes.
Teremos quatro executivos. O primeiro será o diretor-executivo. Teremos também o diretor de futebol, de esportes olímpicos e o diretor de administração. Caberá ao diretor de futebol gerenciar todo o departamento de futebol.
Exemplos de profissionais que me encantam, não quer dizer que serão eles. O Parreira seria um excelente profissional, por sua bagagem internacional, por falar idiomas. O Fluminense precisa ter uma dimensão internacional.
Para diretor de esportes olímpicos, por exemplo, quem me encantaria, mas não vai topar, é o atual secretário do pan da prefeitura, Carlos Alberto Osório que foi um dos artífices para ganharmos os Jogos Olímpicos.
Um diretor administrativo financeiro que teria o papel de nos ajudar a equacionar a divida e a gerenciar o patrimônio do clube.
Acima deles teria o diretor executivo geral, que seria responsável pela marca do Fluminense. Porque, na verdade, o Fluminense de hoje vale pela sua marca. Se você pegar o balanço do Fluminense, o patrimônio líquido do clube é negativo. Quer dizer, tudo que o Fluminense tem não paga as dívidas. Mas a marca não está colocada. Se colocar a marca, vai valer muito mais. Então, esse cidadão, contratado também no mercado, será responsável pela marca, que tem dois pilares, que é a história do Fluminense e a sua torcida.
Aliás gostaria de dizer a vocês em primeira mão que no dia 18/09 ( o evento ocorreu ontem ), o Fluminense, em conjunto com minha candidatura, estará trazendo todo o time de 1970 para comemorar os 40 anos do campeonato brasileiro, Taça de Prata. Então virão: Félix, Galhardo, Assis e Marco Antônio. Denílson e Didi, que parece que vem do México para o evento. Cafuringa, Flávio, Samarone, Lula, Mickey e Jair. Esses jogadores, no dia 18, às 11:00, em grande festa da candidatura, que o Fluminense apoiará. Esses jogadores receberão medalhas do time da máquina. Paulo César, Gil, Manfrini… Riva não estará pois estará na Itália de férias.
O que quero mostrar com isso é o meu compromisso com as duas coisas fundamentais no Fluminense, que são a sua história e sua torcida.
Fluminense & Etc: O Fluminense ficará sem estádio até 2012. O Fluminense fechou contrato para uso do Engenhão nesse período. Mas existe o projeto da Arena Fluturo. O senhor estuda alguma forma de viabilizar esse projeto, tem algum projeto para construção de um estádio ou trabalha em outra alternativa para o Fluminense mandar seus jogos?
Julio Bueno: Eu acho que não tem alternativa de curto prazo. Eu, sinceramente, acho que o Fluminense deve dividir o Maracanã com o Flamengo no modelo adotado no San Siro. Eu não acho que o clube deveria gerenciar o Maracanã. Deveria haver uma operadora, a exemplo do que existe na Europa, gerenciando isso, tendo Fluminense e Flamengo como entes fidelizados. A operadora não usaria o estádio somente para jogos, mas também para shows, convenções, como é o campo do Arsenal, do Real Madri, do Ájax, são modelos que eu conheço.
Mas acho que o Fluminense tem que ter uma arena própria, que não precisa ser maior que 25.000 pessoas. Uma arena em que a gente se enxergue, que a gente resgate a nossa história, em que a gente possa dizer que ali é a nossa casa. Acho que o primeiro lugar que nós temos que analisar a viabilidade, é o próprio estádio das Laranjeiras. Se a gente conseguisse fazer um projeto, que fosse apoiado pela prefeitura e pela comunidade, fazendo uma arena para 20.000 pessoas nas Laranjeiras, nós estaríamos resgatando a nossa história e o nosso passado.
Fluminense & Etc: O atual processo eleitoral trouxe muitos novos sócios ao clube, decididos a influir no resultado da eleição. Mostra que o torcedor do Fluminense deseja participar da política do clube. O senhor pensa na democratização do clube, por exemplo, partindo da criação de uma modalidade de sócio-torcedor com direito a voto?
Júlio Bueno: Não. Eu pretendo fazer mais. Pretendo que a torcida seja dona do Fluminense. De novo, nosso modelo não é fazer com que a torcida entre no clube e vote. Não é isso. O que a gente está dizendo é outra coisa. A gente acha que o Fluminense como marca, como entidade, é muito grande, ele pertence a nove milhões de torcedores e eles tem que ser donos do Fluminense. E sendo donos do Fluminense, influenciarão no seu destino, assim como quem é dono da Petrobrás, da Vale do Rio Doce e do Bradesco, influenciam nas decisões dessas entidades.
A pergunta então foi como é que a torcida entra no clube para votar. A resposta é, ao contrário, é o clube sair e ser de propriedade da torcida ( referindo-se à transformação do clube em S/A ).
Completamente diferente do outro candidato, que tem propostas absolutamente medíocres. “Mais do mesmo”.
Fluminense & Etc: Nas últimas décadas o Fluminense perdeu importância nos esportes amadores. Até a década de 70 o Fluminense conquistava títulos quase que “diariamente” em diversas modalidades. O senhor tem algum projeto para revitalizar o esporte amador e retomar essa trajetória de conquistas, levando em conta a projeto da Olimpíada de 2016?
Julio Bueno: Eu cheguei ao Fluminense através do futebol. As arquibancadas do Maracanã foram o cupido dessa relação. No entanto, eu tenho que reconhecer que o maior título, a maior honraria concedida ao Fluminense, foi a Taça Olímpica, em 1949, uma premiação e reconhecimento à excelência nos esportes olímpicos. Mais ainda, o esporte olímpico eleva a marca.
Desculpe, mas eu não posso deixar de dizer os meus apoios. Eu tenho o apoio do presidente Nuzman, que declarou, por escrito, o apoio à nossa candidatura. O Governador Sérgio Cabral declarou publicamente o apoio à minha candidatura. Esses dois, talvez sejam os dois mais importantes agentes das olimpíadas de 2016. E tem o prefeito, que também é meu amigo.
O que tem que fazer é diferenciar duas coisas. Tem o esporte olímpico de base, que precisa de infraestrutura. E tem os atletas de alta performance. O que esses precisam é de patrocínio. Eu pergunto à comunidade olímpica do Fluminense quem é que tem mais potencial para buscar patrocínio. Só para lembrar, na campanha, nós conseguimos duas coisas muito importantes para o Fluminense. A primeira foi o ônibus do Fluminense. Nós conseguimos que a VW desse um ônibus para o Fluminense, à semelhança do que já tem o Coríntians, Palmeiras, Santos, Flamengo, Vasco – o Botafogo não tem ( risos ) -. Outra coisa que eu consegui foi o apoio da Spoleto. Coisa pequena, mas importante. Então, nos esportes olímpicos de alta performance há que se ter capacidades de se conseguir empresas para colocar no Fluminense. Aí, mais uma vez, eu pergunto ao eleitor do Fluminense, qual dos dois candidatos tem mais capacidade para isso?
Aliás, o outro candidato, ele se fixa na relação com a Unimed. Mas é importante dizer que nos 11 anos em que a Unimed patrocina o clube, não apoiou qualquer modalidade.
Fluminense & etc: Não houve esse apoio no basquete?
Júlio Bueno: Houve, houve foi um tremendo fracasso, muito obrigado por ter lembrado. Foi um enorme fracasso.
Fluminense & Etc: Candidato, diante dos graves problemas financeiros do clube, é possível conciliar o saneamento do clube com títulos no futebol? Queríamos que o senhor fizesse um apanhado dessa situação, considerando os recentes prolongamentos de contratos com os jogadores do elenco atual até o final de 2012.
Julio Bueno: É uma situação desconfortável tanto para o patrocinador quanto para o patrocinado. Nós teremos todo o interesse em renovar o contrato com o atual patrocinador. O patrocinador tem sido muito importante para o clube. Mas em outras bases. Em bases que o clube tenha autonomia nas decisões.
Não sei se você sabe, eu fui presidente da BR Distribuidora, que, na ocasião, patrocinava o Flamengo. Sabe quantas vezes eu escalei algum jogador do Flamengo? Sabe quantas vezes eu escolhi um jogador?
Fluminense & Etc: Se pudesse, o Flamengo estaria na série B, certo? ( risos ).
Julio Bueno: Por outro lado, tem essa questão. Vamos negociar de forma adulta. Porque no Capitalismo não tem ódio nem amor, tem interesse. Vamos sentar e negociar.
Agora outra coisa importante é que há grandes desafios. Talvez o maior desafio da minha vida seja essa questão do Fluminense. Porque não adianta você pagar a dívida e o time ir para a quarta divisão. O Fluminense tem a obrigação de ser competitivo.
Por outro lado, me permita a digressão, eu tenho a esperança que a gestão bem feita no futebol, ela acaba sendo eficiente também. O ano de 1970 talvez tenha sido um dos mais importante da história do Fluminense. O Brasil foi campeão do mundo. Todos os jogadores da seleção jogavam no Brasil. No Santos jogavam Pelé, Clodoaldo e Edu. No Botafogo, Jairzinho, Roberto e Paulo César, no Cruzeiro Brito, Dirceu Lopes, Tostão e Piazza. No São Paulo o Gerson e o Pedro Rocha. E o campeão foi o Fluminense. Mas naquele tempo a gente tinha o presidente Laport, tinha o Almir de Almeida gerenciando o futebol e o José de Almeida sendo o grande estatístico.
Então eu acho que uma gestão inteligente e competente, ela pode levar a resultados até melhores que um gastar desenfreado e sem lógica e planejamento.
Fluminense & Etc: Com relação ao time atual?
Julio Bueno: Temos que enfrentar a questão. Por exemplo, há jogadores que são importantes e emblemáticos, como o Conca, o Mariano. Vamos tentar manter a base. Mas jogador tem que ser produtivo, tem que jogar. Não adianta jogar 40% dos jogos. É a política do Barcelona. O jogador que joga 100% das partidas e é campeão ganha um bônus.
Fluminense & Etc: Quantos e quais títulos o senhor pretende ganhar no futebol profissional em sua gestão?
Julio Bueno: O problema é que eu não tenho bola de cristal ( risos ). Aí tem duas questões engraçadas. Tem dois livros que são best sellers no mundo, que eu gostaria de citar pela diferença. Um é “A bola não entra por acaso”, que fala da experiência do Barcelona e de como o planejamento do clube implicou quase em um nexo causal, de causa e efeito, de se planejar, melhorar e ser campeão. Mas tem outro livro, também best seller, chamado “O andar do bêbado”, que mostra a randomicidade da vida, que mostra o acaso. Quanto mais vezes você chega na final,mais esperanças você tem de ganhar. Mas eu não posso, em sã consciência, dizer o que eu quero ganhar. Se puder, eu quero ir à Coréia, a Tókio, a Dubai… e morrer feliz.
Ah, mas eu quero ganhar também a liga de futebol de salão, voleibol e basquete. O time de voleibol já temos acertado de boca.
Fluminense & Etc: O Fluminense conta com um mercado cativo de alto poder aquisitivo, com uma torcida participativa e engajada. Realizamos uma pesquisa recente que mostra que esse mercado consumidor é mal aproveitado. O senhor tem algum plano para explorar a totalidade desse potencial de mercado da marca Fluminense, sobretudo através de licenciamento? Há profissionais de Marketing no mercado com os quais o senhor deseja contar? Qual trabalho seria feito para valorizar a marca do clube?
Julio Bueno: Olha só. Eu tenho conceitos. Eu não tenho planos definidos, nem pessoas definidas. Diferentemente do outro candidato, que todo mundo sabe que cativou apoios a partir de trocas, não tenho acordos feitos. De novo, para lembrar, nós vamos formar o nosso conselho de administração e vamos escolher as pessoas.
Mas eu quero lembrar, com relação a marca, que eu realizei uma das experiências mais espetaculares de construção de marca realizadas no Brasil: a do Inmetro. Quando eu entrei no Inmetro, ele era conhecido por traço. Quando eu sai, o Inmetro era conhecido por 85% das pessoas. E 90% confiavam e confiam, até hoje, no instituto, o que foi conquistado através do programa “Fantástico” através dos testes de produto, em convênio com a TV Globo.
Eu tenho uma experiência muito exitosa com relação a penetração da marca. No entanto eu não tenho nenhum profissional escolhido.
Quanto ao licenciamento, é muito mal explorado no Brasil. Talvez agora, o Internacional comece a fazer coisas mais profissionais. O que a gente tem que fazer é olhar os exemplos internacionais. Caso do Arsenal. O mercado asiático. Os clubes ingleses hoje usam o mercado asiático e tem licenciamento, merchandising, etc.
Fluminense & Etc: Tem planos de construir um CT ou alguma proposta para maximizar os resultados da preparação em geral do time profissional? E por que não Xerém, já que existe uma estrutura já pronta e que aproximaria os profissionais das divisões de base?
Júlio Bueno: A construção de um centro de treinamento é fundamental para o Fluminense. É impossível ser top no Brasil e no mundo sem um CT adequado, onde os jogadores possam treinar, descansar ou se tratar, quando necessário. Xerém tem todas as condições para abrigar um centro de treinamento, no entanto, diversos experts em futebol consultados por nós têm desaconselhado que o time principal treine junto das divisões de base. Portanto, temos que aprofundar esta discussão, entender melhor este assunto, para buscar a melhor solução.
Por: Marcelo Savioli/Gabriel Cardozo
Produção e edição de áudio e vídeo: Leandro Araújo
Coordenação: Gabriel Cardozo
Colaborou: Marcello Vieira
Edição final: Marcello Vieira e Leandro Araújo.
Siga-me no Twitter: www.twitter.com.br/gabrielcardozo
Entrevista dada para o Fluminense e etc (Site onde escrevo também)
www.fluminenseetc.com.br
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
A importância do descanso de um atleta profissional
Primeiramente gostaria de me apresentar, meu nome é Gabriel Cardozo sou Professor de Educação Física formado pela UFRJ com Pós Graduação em Fisiologia do Exercício e Mestrado em Ciência da Motricidade Humana.
No futebol moderno a parte física é tão ou mais importante quanto à parte técnica, hoje em dia não adianta um jogador chutar bem para o gol se não consegue chutar forte, o futebol atualmente é jogado em tamanha velocidade que um jogador mal condicionado fisicamente não consegue se destacar mesmo sendo bom tecnicamente.
Um atleta profissional busca sempre superar seus limites seja em um treino ou em uma competição, a cada treino ele tem que buscar o seu máximo, tem que buscar melhorar sua performance a cada dia.
Para um atleta melhorar fisicamente ele precisa treinar com seriedade, descansar adequadamente e ter uma boa alimentação.
Quando treina o atleta na verdade está “machucando” os seus músculos ele está fazendo com que seu organismo chegue ao seu máximo para no descanso se recupere ficando melhor e mais forte.
Podemos observar isso em uma série de musculação feita nas academias, quem faz musculação sabe que não se deve trabalhar a mesma musculatura todos os dias, pois o músculo precisa de descanso.
É obvio que um atleta que não tem um descanso adequado está mais sujeito as lesões, pois como escrevi não acontece uma recuperação adequada. Se ele chegar com o organismo cansado no treino com certeza além de não conseguir nenhum ganho ainda pode se lesionar o que em alguns casos chamamos de over training por falta de descanso.
Não é difícil entender, imaginem dois atletas que acabaram de treinar, aonde chegaram aos seus máximos, e lógico estão cansados. Só que um vai para casa se alimenta adequadamente (o que também é fundamental na recuperação) e tem uma boa noite de sono. O outro vai direto para uma festa onde não se alimenta bem, chega em casa de madrugada e dorme pouco. Qual dos dois vai treinar melhor no outro dia de manhã? Melhorando assim sua performance? Qual dos dois estará com a musculatura descansada diminuindo o risco de uma lesão?
Parece obvio né? Mas para alguns jogadores não, ele ainda não se deram conta que são atletas profissionais onde estar bem fisicamente faz com que sua performance em campo melhore. E mesmo aqueles que não se cuidam e jogam bem poderiam estar jogando muito melhor do que jogam se cuidassem do seu corpo.
Por Gabriel Cardozo
Siga-me no Twitter: twitter.com/gabrielcardozo
escrevo também para o www.fluminenseetc.com.br
No futebol moderno a parte física é tão ou mais importante quanto à parte técnica, hoje em dia não adianta um jogador chutar bem para o gol se não consegue chutar forte, o futebol atualmente é jogado em tamanha velocidade que um jogador mal condicionado fisicamente não consegue se destacar mesmo sendo bom tecnicamente.
Um atleta profissional busca sempre superar seus limites seja em um treino ou em uma competição, a cada treino ele tem que buscar o seu máximo, tem que buscar melhorar sua performance a cada dia.
Para um atleta melhorar fisicamente ele precisa treinar com seriedade, descansar adequadamente e ter uma boa alimentação.
Quando treina o atleta na verdade está “machucando” os seus músculos ele está fazendo com que seu organismo chegue ao seu máximo para no descanso se recupere ficando melhor e mais forte.
Podemos observar isso em uma série de musculação feita nas academias, quem faz musculação sabe que não se deve trabalhar a mesma musculatura todos os dias, pois o músculo precisa de descanso.
É obvio que um atleta que não tem um descanso adequado está mais sujeito as lesões, pois como escrevi não acontece uma recuperação adequada. Se ele chegar com o organismo cansado no treino com certeza além de não conseguir nenhum ganho ainda pode se lesionar o que em alguns casos chamamos de over training por falta de descanso.
Não é difícil entender, imaginem dois atletas que acabaram de treinar, aonde chegaram aos seus máximos, e lógico estão cansados. Só que um vai para casa se alimenta adequadamente (o que também é fundamental na recuperação) e tem uma boa noite de sono. O outro vai direto para uma festa onde não se alimenta bem, chega em casa de madrugada e dorme pouco. Qual dos dois vai treinar melhor no outro dia de manhã? Melhorando assim sua performance? Qual dos dois estará com a musculatura descansada diminuindo o risco de uma lesão?
Parece obvio né? Mas para alguns jogadores não, ele ainda não se deram conta que são atletas profissionais onde estar bem fisicamente faz com que sua performance em campo melhore. E mesmo aqueles que não se cuidam e jogam bem poderiam estar jogando muito melhor do que jogam se cuidassem do seu corpo.
Por Gabriel Cardozo
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