domingo, 3 de outubro de 2010

Entrevista exclusiva com Mauro Carneiro

O terceiro a participar da série de entrevistas com candidatos à presidencia do Fluminense F.C. é Mauro Carneiro, candidato da coligação Por amor ao Fluminense. O engenheiro que, gentilmente, nos recebeu para essa conversa sobre o destino do Fluminense, respondeu a nossas perguntas em duas etapas. A primeira delas foi por e mail, na qual apresentou as linhas gerais de seu projeto. Na segunda, presencial, procuramos conhecer mais detalhes de suas propostas.

Fluminense & Etc: Fala-se muito em renegociar a dívida do Fluminense F.C. Todos sabemos que isso deve ser prioridade para qualquer gestão. No entanto, uma contrapartida, com geração de receitas, é fundamental para que o clube possa sentar-se à mesa com credores. Outra contrapartida fundamental é que o clube gaste menos, reduzindo despesas a um patamar sustentável. Como vai ser tratada essa questão na sua gestão? Que receitas pretende gerar? Como pretende enquadrar os gastos? Como pretende renegociar e pagar a dívida do clube?

Mauro Carneiro: Recentemente o Fluminense sentou-se à mesa com os credores, sem bases financeiras, intimidado e desesperado pela quebra do ato trabalhista, o que resultou no aumento da dívida em mais 7% de despesas jurídicas; não é assim que se faz…

Em primeiro lugar temos que dar transparência real das nossas contas, subdividi-las em unidades de negócios, para sabermos suas origens, como estancá-las e enquadrarmos os gastos dentro da possibilidade realista, como tudo deve ser feito na vida de qualquer cidadão e de qualquer empresa.

Criar receitas não é tão fácil como falar, é preciso ter além de uma marca forte como a nossa, uma administração que tenha credibilidade e bons projetos, sérios e sustentáveis. Desta forma não faltarão parceiros idôneos que queiram nos acompanhar.

A única forma correta para novas receitas é um programa institucional de vários patrocinadores. A partir daí o Fluminense poderá, de forma clara e sensata, fazer um planejamento financeiro de curto, médio e longo prazo, que não impeça a continuidade do seu crescimento, como, por exemplo, a venda dos nossos talentos da base.

Teremos parcerias e patrocínios para cada área, cada esporte. Inclusive criaremos fundos de investimento, sobretudo para os garotos de base. Existem empresários que gostam desse risco, que nos permitam criar de forma séria e transparente os fundos de investimentos para segurarmos nossos atletas. Os empresários arcam com parte do custo e ganham numa revenda futura.

Fluminense & Etc: Já que o senhor falou no conceito de unidade de negócio, observa-se, especificamente no futebol, que, mesmo tendo um patrocinador forte, investindo tudo no futebol, o Fluminense não consegue arcar com a sua parte, vendendo jogadores para pagar atrasados. Isso quer dizer que as receitas destinadas por Unimed e Fluminense para a unidade de negócio futebol, mesmo o clube tendo o elenco mais caro do Brasil, não fazem frente às despesas?

Mauro Carneiro: Em primeiro lugar o clube não pertence a ninguém, nem nunca vai ter dono. Quando você administra coisa que não é sua, que é dos outros, você tem que ter mais cuidado do que com o que é seu. Quando você administra o que é dos outros, você tem que prestar conta do que está fazendo. Como vamos dar transparência às coisas no Fluminense? Como pode chegar o diretor da Adidas para o Conselho e dizer que não pode mostrar o contrato porque ele é confidencial? Os sócios, assim como os torcedores, precisam de transparência. Nós pretendemos criar outras modalidades de sócio-torcedores e é preciso transparência para essas pessoas.

Existe um passado que nós temos que conhecer, se não a gente não projeta o futuro. A melhor equação para isso é, quando você tem um problema grande, dividi-lo. Dividir para dominar. Esse é o conceito da Unidade de Negócio. Na hora que você diz que o futebol é uma unidade de negócios, o esporte olímpico e a área social são unidades de negócio, eu vou poder provar que não é o esporte olímpico que está dando prejuízo. Assim como não é Xerém que endivida o Fluminense. Xerém e o esporte olímpico, mesmo sem patrocínio, não geram dívidas. O social idem. Aí eu localizo a dívida. Localizando-a, eu estou mais perto da solução. Aí tem que enfrentar e resolver o problema.

A partir daí, podemos fazer um planejamento, a partir da implantação do conceito de unidade de negócio, para cada área do clube, que nada têm a ver uma com a outra. Cada área será cuidada como uma área específica.

Nós vamos criar mecanismos para dar transparência à administração, entre eles a ouvidoria. Podemos fazer encontros, palestras, seminários, onde vamos mostrar os dados para quem gosta e quer acompanhar o Fluminense. Se não mostrar o que acontece, não vamos conseguir explicar.

Fluminense & Etc: Todos os candidatos parecem ser unânimes em condenar o modelo atual de parceria com a Unimed. Sabemos que o modelo atual sustenta-se na premissa de que é necessário blindar a receita de patrocínio contra as penhoras. O efeito colateral de tudo isso tem sido a ingerência da patrocinadora na gestão do clube. Como o senhor pretende enfrentar essa questão? Uma das primeiras tarefas da próxima gestão será tratar da renovação do contrato com a Unimed. O senhor tem ou procura alternativas à atual patrocinadora, até mesmo como forma de fortalecer-se para uma negociação? Independente disso, com quais e que tipo de parceiros estratégicos o senhor pretende contar e com quais finalidades?

Mauro Carneiro: Primeiramente, a premissa de blindar a receita é uma história para ocultar a verdade.

O que existe, de fato, é um contrato entre as partes citadas, cujo início se deu na gestão do Presidente David Fischel. O vice-presidente jurídico da época é que deve prestar as devidas explicações, pois colocou o Fluminense num beco sem saída ou, se quiser usar o jargão esportivo, numa sinuca de bico, provocando o efeito colateral citado.

Temos que negociar um novo tipo de contrato, que permita atender aos interesses financeiros, muito justos, das partes, e permita ao Fluminense agregar mais receitas institucionais e ter condições de gerir seu destino, sem interferência de quem quer que seja.

Os parceiros estratégicos do Fluminense são seus sócios e seus torcedores e, sem dúvida, a solução é o fortalecimento dessas relações, engrandecendo a nossa marca através de um projeto de marketing esportivo a nível nacional.

Fluminense & Etc: O senhor fala que pretende fortalecer a relação com sócios e torcedores. Como? Com que projetos?

Mauro Carneiro: Um dos grandes problemas que o Fluminense tem é o entendimento claro de todas as relações do clube. O sócio é uma relação, a torcida outra, a relação com os outros clubes outra.

O Fluminense vive numa malha cheia de relações, que estão abandonadas, até sob o ponto de vista ético. Quando vejo um presidente de outro clube cobrar ética do meu, não me agrada. Porque o Fluminense não tem a tradição de faltar com a ética. Ao contrário, sempre teve em seus quadros pessoas capacitadas para defendê-lo contra a falta de ética dos outros clubes.

O presidente do clube tem que entender que ele está ali para servir aos associados e aos torcedores e todos os mecanismos, como ouvidoria, sites, são bem vindos. Nós colocamos em nosso site que vamos criar a vice-presidência de Comunicação, pela preocupação de manter as relações estreitas e claras e fazer com que o Fluminense passe a ser respeitado pelos sócios e pela torcida.

Pede-se muito às torcidas que compareçam, façam mosaicos, mas nem as filas tiram para os torcedores. Na hora de comprar ingresso têm que ficar horas no sol.

Fluminense & Etc: O Fluminense tem sido, nos últimos anos, no futebol, um grande formador de atletas, acumulando conquistas nas divisões de base. No entanto, o aproveitamento dos jovens valores no time principal tem sido aquém das expectativas, seja em retorno esportivo, seja financeiro. Qual o plano para aproveitar melhor o potencial de Xerém e minimizar os efeitos das ações de empresários, como no caso Dalton?

Mauro Carneiro: O maior equívoco dos últimos 10 anos das administrações do Fluminense e incentivadas pela UNIMED, ou vice-versa, foi acreditar que contratar jogadores de fora e por valores muito altos a cada temporada, seria a solução. O resultado todos conhecem: colocações desesperadoras nas tabelas do brasileiro, 4 anos sem participar da final do carioca e apenas 3 títulos em 20 anos, o que é muito pouco.

O que devemos fazer é cuidar com carinho e com mais atenção das necessidades das instalações de Xerém, que já é conhecida internacionalmente, e dos nossos atletas de base ( prata da casa ); teremos, a partir daí, títulos, alegrias e receitas, como estamos observando em outros clubes, como, por exemplo, o Santos. Entretanto, vamos também precisar de forma consciente e planejada, agregar alguns atletas experientes que possam colaborar para termos um elenco forte.

Fluminense & Etc: O senhor tem algum projeto para viabilizar a construção de um C.T. de alto nível para o Fluminense F.C.? Caso não, que proposta o senhor tem para que o Fluminense possa maximizar os resultados de seu trabalho de preparação no futebol profissional? Por que não Xerém? Não seria a alternativa mais econômica, além de trazer benefícios técnicos para as divisões de base?

Mauro Carneiro: Não existe nenhum candidato que conheça melhor as necessidades e problemas de Xerém, porque como Vice-Presidente de Projetos Especiais, realizei todo o levantamento, disponho de todo o projeto já concluído e sei exatamente os recursos financeiros necessários. O Master Plan do projeto está disponível no site www.forteeosocio.com. Nele encontrarão também o histórico da apresentação do projeto ao Dr. João Havelange, intermediado pelo Dr. Silvio Kelly.

A nossa trajetória futura só passa por Xerém; como fazer, existem várias maneiras, mais rápidas ou mais lentas, dependendo das parcerias, mas não podemos ficar mais uma década sem investir absolutamente nada no seu crescimento. As divisões de base geram receitas do percentual da formação dos atletas e fica a indagação: para onde vão essas receitas? Para Xerém certamente não.

Fluminense & Etc: O projeto que o senhor diz ter para Xerém inclui então o deslocamento do futebol profissional para lá, para preparação e concentração?

Mauro Carneiro: Não se deve estanquear as categorias, como é hoje. O profissional é o segmento natural de quem está em formação. O Fluminense, historicamente, tinha todas as categorias juntas. Os mais novos tinham contato com os ídolos. O convívio é positivo.

Xerém já deu frutos, mas precisa terminar o que começou. O C.T. de base precisa ter adequações de obra civil e complemento de alguns equipamentos de fisioterapia e médicos, além do gramado dos campos, que precisa melhorar a drenagem. O quadro de funcionários é bom.

O hotel Telê Santana não é cinco estrelas, mas é muito bom. As acomodações são boas, em termos climáticos, de oxigenação, também é muito bom. Os jogadores lá não ficariam restritos a um quarto, como ficam na zona sul. Precisa de alguns ajustes, mas nada preocupante.

Quanto ao C.T. profissional, tem um terreno bem próximo que tem umas questões jurídicas para serem equacionadas. Nós já temos um projeto, já temos um orçamento, eu fiz todo o trabalho de planejamento. Passaríamos a ter o complexo de treinamento futebolístico do Fluminense F.C. com C.T. de base e profissional. Não ficariam fisicamente juntos, mas próximos, se inter-relacionando. Acho esse caminho mais curto do que criar um outro C.T. em outro lugar. Sou favorável a Xerém e acho que o futuro passa por lá.

Fluminense & Etc: Como o senhor pretende compor seu staff? Quais seriam as vice-presidências e as suas atribuições? Pretende contratar profissionais qualificados no mercado? Já tem essas pessoas e o papel que irão desempenhar no clube?

Mauro Carneiro: O staff será composto, a nível estratégico, exclusivamente pelos mandatários do Fluminense; e não serão escolhas meramente políticas, mas sim, por qualificação.

As vice-presidências e as atribuições seguem o que determina o atual estatuto, mas, como prerrogativa, além das Vice-Presidências já praticamente consideradas fundamentais, como a Médica e Projetos Especiais, proporemos ao Conselho Deliberativo duas novas, também não estatutárias: a Vice-Presidência de Xerém e a de Comunicação. Suas atribuições virão da redistribuição das Vice-Presidências estatutárias e suas metas norteadas conforme nossa proposta, pois serão instrumento fundamentais para a escolha de cada Vice Presidente, uma vez que dele será cobrado o cumprimento das mesmas.

Contratações de profissionais, somente para nível operacional; e esta responsabilidade será do vice-presidente da área, obedecendo assim nosso conceito de Unidades de Negócios.

Fluminense & Etc: O Maracanã ficará fechado por um longo período. O Fluminense não tem um estádio próprio. Existe o projeto da Arena Fluturo. O senhor estuda alguma forma de o Fluminense colaborar na viabilização desse projeto? Tem algum outro projeto para a construção de um estádio para o clube? Aonde o Fluminense mandará seus jogos na sua gestão até que o Maracanã seja reaberto?

Mauro Carneiro: Desde o momento que o progresso da cidade desapropriou parte do nosso estádio nas Laranjeiras, os mandatários deveriam ter procurado uma solução para um novo estádio, pois clube de futebol grande, necessariamente tem que ter estádio; isso os nossos fundadores já nos ensinaram.

Sem dúvida alguma, não irei apenas colaborar, vou liderar o processo da conquista de um novo estádio para o Fluminense; o que já venho fazendo.

Enquanto o Maracanã estiver em obras, existem poucas alternativas; teremos que estudar qual a melhor opção e vamos submetê-la, inclusive, aos nossos torcedores, através da ouvidoria que iremos criar.

Todos os presidentes do Fluminense, nos últimos 40 anos, não entenderam que um clube grande, com a torcida que tem, não poderia ficar sem um estádio. Não vi muito esforço para isso.

Tivemos uma oportunidade, na década de 70 ou 80 de um terreno que foi doado para o Fluminense, onde hoje fica o Terra Encantada, na Barra. O Fluminense desperdiçou.

Aí quando você fala em estádio, nós temos duas questões parecidas e paralelas. O presidente do clube tem que liderar esse processo. Nós temos algumas coisas em andamento, porque temos absoluta consciência de que o Fluminense não pode deixar de ter o seu estádio. Se os fundadores não tivessem criado, em 19, o estádio das Laranjeiras, não seríamos o que somos hoje.

Sabemos que é um projeto difícil, mas temos que fazer. O Grêmio, o Inter, o Palmeiras, o Vasco, todos têm. Então podemos ter também.

Por que não se fala mais em estádio e sim em Arena? Porque o conceito mudou. O estádio é deficitário. Se você passar pelo Maracanã no sábado, quando não tem jogo, o estacionamento está vazio, dando prejuízo. Na sexta, na quinta, idem. São 80% de ociosidade. É uma despesa enorme, que o clube não consegue agüentar.

Qual o conceito da arena? A Arena é um local onde você pode ter uma diversificação de uso. Você pode usar para shows musicais, para outros tipos de espetáculos. Isso gera receita. E tem que criar algum movimento em torno dela, para que você não fique exclusivamente dependente de futebol. Em 2002 nós começamos o trabalho sobre a arena. Nós entendemos que o conceito deva ser de uma grande área de entretenimento. Se você tiver outras modalidades de entretenimento, como boliche, cinema, teatro, entre outros, você criaria um centro de entretenimento.

Fluminense & Etc: O atual processo eleitoral trouxe muitos novos sócios ao clube, decididos a influir no resultado da eleição. Mostra de que a torcida do Fluminense deseja participar ativamente da política do clube. O senhor pretende democratizar o clube a partir, por exemplo, da criação de uma categoria de sócio-torcedor com direito a voto?

Mauro Carneiro: Acredito que o processo eleitoral trouxe sócios para influir no resultado da eleição, mas preferia que isto não acontecesse desta forma.

É muito justo que os torcedores participem do processo político, mas de uma maneira independente, sem vínculo prévio com qualquer candidato.

Tenho absoluta certeza de que já estamos atrasados neste processo de inserir os torcedores nos destinos do Fluminense, porém, temos que fazer de forma estatutária, criando seus direitos, deveres e com a concordância de todos, sem imposições políticas ou manipulações.

Fluminense & Etc: Nas últimas décadas o Fluminense perdeu importância nos esportes amadores, onde já ocupou papel de destaque, com inúmeras conquistas. Levando em conta a proximidade dos Jogos Olímpicos, no Brasil, o senhor tem algum projeto para revitalizar o esporte amador no clube e retomar a história de conquistas do mesmo?

Mauro Carneiro: Não tenho tanta certeza que o Fluminense tenha perdido importância nos esportes olímpicos; continuamos formando atletas de alto nível, que quando é atingido, necessita adequação ao mercado, que deixou de ser amador. Tal viabilidade será atingida, da mesma forma que nas demais Vice-Presidências, com a implantação do conceito de Unidades de Negócios. Neste caso, por modalidade ou grupo delas, além da rubrica oriunda dos investidores institucionais e, o mais importante, a criação do Instituto Fluminense, como consta no organograma de nossa proposta. Paralelo a essas ações criaremos o Centro Olímpico do Fluminense, fora da sede das Laranjeiras, uma vez que esta já atingiu o seu limite de aproveitamento e núcleos de Vilas Olímpicas, aproveitando o terceiro setor da economia para recrutamento e seleção de novos talentos, o que já está sendo feito.

O Centro Olímpico será dedicado ao aprimoramento olímpico. O atleta, ao ir para lá, será porque já é destacado.

As Vilas Olímpicas podem ser no Brasil inteiro. O Fluminense teria o acompanhamento e o gerenciamento. Esse projeto não está só no papel. Já estamos trabalhando na viabilização do mesmo. Aí entra o Instituto Fluminense, que através das verbas e dos incentivos fiscais que existem, em parcerias com municípios, ligas, outras entidades, usando o peso da marca Fluminense, expandiríamos nosso esporte olímpico. Isso, inclusive, valorizaria nossa marca. Iríamos, assim ao encontro dos talentos, até para aproveitar o evento da olimpíada.

Dentro do Fluminense, serão atletas associados do clube.

Fluminense & Etc: Diante dos graves problemas financeiros do clube, é possível conciliar um projeto de saneamento das finanças com títulos no futebol? Como?

Mauro Carneiro: Os problemas financeiros do clube e a falta de títulos vêm acontecendo nas últimas décadas por um modelo estratégico errado, e não acontecem simultaneamente por acaso. No momento em que houver um modelo de planejamento estratégico correto, não só as questões financeiras ficarão normalizadas, como também os títulos e as glórias retornarão ao Fluminense, como era no passado, quando a instituição era conduzida de forma retilínea.

De acordo com a nossa proposta, as metas para o financeiro do clube são:

Valorizar o título de sócio para R$ 10 mil em 3 anos / Crescimento da receita em 15% ao ano / Desenvolver e coordenar o programa de Unidade Negócio / Coordenar as atividades contábeis / Elaborar o planejamento financeiro.

E para o futebol profissional:

Coordenar as atividades relacionadas com o Futebol Profissional / Gerenciar os contratos, franquias e transações comerciais concernentes no futebol / Objetivar como prioridade a conquista de títulos / Introdução do pacto de ética com os clubes co-irmãos / Aproveitamento de no mínimo 30% dos atletas de base no elenco profissional / Comissão técnica permanente / Padronizar os procedimentos técnicos / Revitalizar o futebol feminino / Coordenar todas as ações administrativas necessárias para o bom desempenho do futebol profissional / Utilizar a concentração Telê Santana / Banco de dados de atletas de base e profissionais / Banco de dados de contratos / Destinar 5% da venda de atletas para Xerém / Contratação diferenciada.

De base:

Coordenar as atividades relacionadas com o futebol de base / Administrar o complexo esportivo do Vale das Laranjeiras em Xerém / Comissão técnica permanente / Padronizar os procedimentos técnicos / Revitalização do futebol feminino / Incrementar as atividades de futsal / Incrementar intercâmbio com outras instituições / Dar cumprimento às reformas e obras do projeto complexo futebolístico de Xerém.

Fluminense & Etc: Quais e quantos títulos o senhor pretende conquistar no futebol profissional durante a sua gestão? Como pretende alcançar essa meta?

Mauro Carneiro: Pretendo conquistar todos! No futebol profissional, no de base e no esporte olímpico.

Se vamos conseguir, ainda não sabemos, mas é uma boa meta para perseguir; o importante é que no esporte existem dois grandes fatores de sucesso: o que é realizado no campo e no extra-campo. Garanto que o extra-campo, nós iremos fazer, e muito bem feito.

Fluminense & Etc: O que seria o extra-campo? Está sendo mal feito? O que seria fazê-lo bem?

Mauro Carneiro: Quase tudo é feito errado. E vamos, mais uma vez, ter que dividir o problema por vários setores.

O futebol é subdividido em várias áreas. Exemplo. Eu fui a Xerém fazer uma visita e reparei que há uma nutricionista. Ela prepara um cardápio e todo mundo come a mesma coisa.

Falei que alguém do futebol tinha que conversar com a profissional. Por que um menino de 12 anos come a mesma coisa que um rapaz de dezoito? Por que o atleta que está em atividade, come a mesma coisa que o que está no departamento médico, que não queimou caloria nenhuma?

Alimentação é um problema sério para quem pratica esporte.

Outro problema é a área médica. Eu sou totalmente contra que uma pessoa que não entende de medicina decida o que tem que ser feito em termos médicos. Não é o vice de futebol que tem que dizer qual o tratamento, qual o dia da liberação do atleta entregue ao departamento médico. Isso é atribuição de profissionais, que tenham responsabilidade com o clube.

Tem a parte psicológica. O jogador tem que ser observado. Não é vigiá-lo, mas protegê-lo. Se um jogador recebe um telefonema da namorada terminando o relacionamento dentro do vestiário, antes da partida, a culpa não é da namorada e sim do clube que permite o cara atender celular meia hora antes de começar o jogo.

Por isso eu sou a favor de uma comissão técnica permanente para que o presidente se faça entender por aqueles que trabalham dentro do departamento. Com as constantes trocas de treinadores e profissionais, o presidente tem que a toda hora mostrar o que ele quer.

O extra campo, o cuidado com os detalhes, faz uma grande diferença no resultado final. E tem que ter um elenco equilibrado, preparado para uma temporada longa, dando oportunidade aos meninos de Xerém, nós temos que ter algumas lideranças que possamos pagar. Tudo isso é possível. Nós temos na ponta da tabela times cujo elenco custa a metade do elenco do Fluminense. O dinheiro é necessário, mas não é o que traz o título. É preciso outras coisas.

Fluminense & Etc: O Fluminense conta com um mercado cativo de alto poder aquisitivo e grande lealdade. Pesquisa recente, realizada pelo Fluminense & Etc., mostra que esse mercado é mal aproveitado. O senhor tem algum plano de Marketing para explorar a totalidade do potencial de mercado da marca Fluminense F.C., sobretudo através de licenciamento? Como e com que profissionais o senhor pretende compor seu departamento de Marketing? Que trabalho será feito para valorizar a marca do clube, quais atributos serão evidenciados e como pretende explorá-los?

Mauro Carneiro: Realmente o aproveitamento da marca, como produto de marketing, não é bom. Não pretendemos apenas explorar este universo, nossa intenção é prospectar novos mercados.

Não é alvo prioritário conceder licenciamentos. Pretendemos cuidar do nosso próprio negócio, com profissionais de alta qualidade. E não precisamos nos preocupar em valorizar a marca, e sim, saber a melhor forma de apresentá-la e de como veicular, explorando tudo o que temos de melhor: nossa história, nossos grandes atletas do presente e do passado, nossa torcida e nossos sócios.

Fluminense & Etc: Que estratégias o senhor pretende adotar para conquistar novos mercados para a marca Fluminense? O senhor falou que licenciamento não é prioridade. Como e que ofertas o senhor pretende gerar para atender esse mercado?

Mauro Carneiro: Eu não estou preocupado com o valor da marca. A marca não está à venda.

O que eu quero é fazer um programa de Marketing para trazer receitas. Temos que ter um bom produto e vender. Marketing é venda. O Fluminense precisa se mostrar de maneira propositiva em alguns mercados.

Não é mandar os meninos de Xerém irem lá fora fazer um torneio de três dias e voltar. Tem que saber vender seus produtos. Se vai vir mais torcida, eu acredito. Podemos internacionalizar a marca.

Nós temos a Juliana Veloso, que é um produto do Fluminense. Tem que prospectar, porque ninguém vai bater na nossa porta.

Sobre licenciamento, o que não falta no Fluminense é licenciamento. Certa vez eu estava em Brasília e vi uma escolinha do Fluminense, com bandeira do clube, as crianças treinando com a camisa do clube. Voltei para o Rio e fui falar para o presidente que tinha visto uma escolinha em Brasília. Ele respondeu: aonde?

Licenciamento onde o licenciado ganha mais do que eu não me interessa. Nós vamos ter que discutir isso. Agora um que seja produtivo, através de franquia, licenciamento direto, pode-se conversar.

Para ganhar dois milhões de Marketing por ano, que é o que mostraram ao conselho, é melhor fechar as portas. Para uma marca que tem 10 milhões de torcedores, se cada um contribuísse com um real em receita com Marketing, já teríamos dez milhões de arrecadação. Como é que o Marketing só arrecada dois milhões?

Fluminense & Etc: Qual será o papel desempenhado por Celso Barros, presidente da atual patrocinadora, em sua gestão, caso se opte pela continuidade da parceria? Como será tratado o caro elenco atual e os contratos em vigor, em sua maioria com final em dezembro de 2012?

Mauro Carneiro: Não temos qualquer intenção de incompatibilizar o clube com a atual patrocinadora e, o papel do seu presidente, será o mesmo do presidente da Adidas, que por sinal, somente alguns sócios e torcedores devem saber o nome. Ou de outros presidentes de futuros patrocinadores que venham a fazer parte do grupo de investidores institucionais.

Quanto ao elenco, vamos aguardar até o final da temporada de 2010 para avaliarmos o resultado obtido; existe na vida o barato que sai caro e o caro que sai barato, por isso a questão não é somente o que se paga, mas sim, o retorno que é obtido para a instituição dentro do que se gasta.

Por: Marcelo Savioli/Gabriel Cardozo

Coordenação: Marcelo Savioli

Edição final: Marcello Vieira e Leandro Araújo.

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